quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

cat power não é ontem


eu estava com medo de te ver, confesso.
ano passado sua voz era lamento. sua dança, contorção. 
o cigarro que pendia na sua boca, porém, apagou.
eu estava com medo porque você transcende o passado com música, e eu, às vezes penso que não.
e a noite caiu e tudo se acalmou. inclusive você, inclusive eu. quando ouvi você. 
você é tão forte.
e essa força se transformou numa calmaria que te fez tocar. aquelas músicas das quais você nunca mais.
maybe not.
e transformou a melancolia em algo semelhante a um sorriso.
it must be the colors and the kids that keep YOU alive.
e sua música me salva do dia de ontem que passei com você.



foto que tirei no dia 28 de novembro, no audio club, em são paulo. 

mais cat power:

como quem acende um cigarro eu escuto cat power

yellow hair, you are a funny bear



segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

dois mil e quatorze valeu a pena por esses discos


vários artistas - master mix: red hot + arthur russel

caribou - our love

röyksopp - the inevitable end + do it again (ep)

fka twigs - lp1

marissa nadler - july

j mascis - tied to a star

yelle - complètement fou

blonde redhead - barragán

hercules an love affair - the feast of the broken heart 

banda do mar - banda do mar

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

dois mil e quatorze valeu a pena por esses filmes


amantes eternos - jim jarmusch

o homem das multidões - marcelo gomes e cao guimarães

o grande hotel budapeste - wes anderson

os iludidos - jonás trueba

avanti popolo -  michael wahrmann

beber, amar e cantar - alain resnais

boyhood - richard linklater

her- spike jonze

inside llewyn davis - joel e ethan cohen

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

cortázar é tudo o que temos

Depois de uma longa caminhada numa tarde ensolarada de quarta-feira entrei no Museo Nacional de Bellas Artes, em Buenos Aires. Queria lavar o rosto e fazer xixi antes de mergulhar naquele universo que estava sendo exposto no local e que foi um dos principais motivos de ter feito aquela viagem: o de Julio Cortázar, através das mostras Los otros cielos e Los fotógrafos: ventanas a Julio Cortázar.

Subi até o segundo andar e perguntei para um senhor de olhar terno e bigode simpático que trabalhava lá onde ficava o banheiro. Ele não só disse onde ficava o local, como se levantou do banco onde estava acomodado e me acompanhou, gentil, até lá perto. Cumprida minha primeira missão, resolvi, então, começar a visita naquele piso, onde se encontrava uma sala com várias fotografias do escritor. Não tenho o costume de fotografar o acervo das exposições que visito, mas a ocasião era mais que especial, então fiz questão de registrar aquilo.

Quando saí da sala para retornar ao piso inferior, o senhor que me mostrou o caminho do banheiro veio em minha direção:

Desculpe a intromissão, mas vi você fotografando os retratos do Cortázar, você deve gostar muito dele, não é?
Respondi que sim.

Você não pode deixar de visitar o restante da exposição. Tem até uma máquina de escrever dele.

Sim, pode deixar. Eu vim aqui exatamente para isso.

De onde você é?

Disse que tinha vindo de São Paulo, que aquele era o meu primeiro dia na cidade e que minha intenção era visitar as exposições que comemoram o centenário do escritor (Año Cortázar 2014). Ele ficou muito feliz e, sorridente, agradeceu por eu ter feito essa “gentileza”.

Falamos sobre como gostamos da maneira ritmada que Julio escrevia, sobre o jazz... e acabei falando que eu gosto muito de escrever e que ele é uma grande referência para mim.

Eu sabia, eu vejo nos seus olhos uma sensibilidade e uma boemia que só os escritores têm.

Eu sorri e disse que ia seguir a visita. Ele me deu boas vindas, desejou sorte e tudo de melhor na minha vida.

Encerrou declarando seu amor pelo escritor:

Cortázar é tudo o que temos.

Acho que é tudo o que eu tenho também.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

quarta-feira, 7 de maio de 2014

como quem acende um cigarro eu escuto cat power

num momento de ócio comecei a revirar os dias que já risquei dos calendários, esses dias que lembramos e relembramos e recriamos e que se tornam ficção mas que são. revirei e-mails, joguei alguns fora pra nunca mais, revirei mensagens e poemas e músicas que enviamos e que nos enviam quando vivemos aqueles dias que sabemos que vamos lembrar pra sempre. mas o que vem ao caso não é essa minha fraqueza, essa minha boa - ou - ruim memória, mas que nesses momentos desnecessários de serem revividos, mas que por algum motivo eu tenho prazer em, eu recorro espontaneamente a cat power, porque eu sempre relacionei a sua música a esse sentimento indomável, pelo qual me deixo levar, ela é a sonorização disso. cat power me ajuda a desgastar tudo o que eu preciso, é como um soco na cara que, com a dor que proporciona, me faz gritar ou chorar ou os dois. e depois não sobra nada senão o vazio, o suspiro, o alívio. e pensando nisso eu cheguei a conclusão que eu não sei como eu seria se não conhecesse essa mulher brutal.

mais cat power aqui e aqui.

foto do austin hargrave.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

cine belas artes, ele voltou



Projeção feita na festa em comemoração pela volta do Cine Belas Artes.


E eu, que como muitos, chorei a perda que tivemos em 2011, nem consigo acreditar...