domingo, 20 de setembro de 2009

leite azedo (ou leite derramado)


Aqui vai ser assim: tudo em primeira pessoa. Não sei mais o que é ou não ser imparcial, mas isso também já não importa. E quando resolvi criar mais um blog, dessa vez com meu amigo Wanderley Dias, decidimos fugir dessa palhaçada que vemos por aí todo dia, de críticos que – não sei onde lhe disseram que tem moral para escrever/criticar como fazem, sem acrescentar nada na vida do leitor. Enfim, eu poderia ficar horas aqui divagando sobre isso...
Já que vou falar sobre o último livro que li e que talvez soe como uma crítica, pode parecer que essa introdução pareça contraditória. Mas não. Só vou dizer que penso ao contrário. Ótimos professores me indicaram esta obra, mas não me importa, e sigo agora com minha opinião sobre o novo romance de Chico Buarque, Leite Derramado, publicado este ano pela editora Companhia das Letras:

Relatos de um velho prestes a morrer que dirige as pessoas que o rodeiam no seu quarto do hospital, (filha, enfermeiras, médicos...) as últimas palavras de sua vida. Palavras que se tornam histórias. Mas que, segundo ele, não são histórias de um velho qualquer. Ele, membro de uma tradicional família portuguesa que chegou ao Brasil e construiu seus belos castelos (que a medida que o tempo passa chegam às ruínas).

Não é sempre que alguém se interessa em resgatar nossas raízes, principalmente em nossa literatura, porém de forma superficial, é apenas um romance, que não chega a duzentas páginas, fácil de serem lidas, mas que desagradam a maior parte do tempo. Você torce para o velho morrer logo, pois percebe que aquela chatice que já ouvimos tanto sobre a exaltada vida de ociosidade vinda dos portugueses não acrescentam em nada. O que vale é um nome de família rica, o falso poder. Por mais que se narre a construção de um país, é um ponto de vista muito particular, então de nada vale esse resgate.

Fica fácil compreender porque tanta gente vêm falando desse livro de uma forma tão respeitosa. Sei que a maioria que ler isso não vai concordar, mas resolvi dar cara a tapa. Essa história não vale muita coisa, porém na sociedade pós-moderna que vivemos, de uma geração que vive apenas o presente, qualquer coisa que se diga do passado é sinônimo de repertório, de profundidade.

Quanto à sua construção, uma narrativa em que ele repete várias vezes o mesmo fato, acrescentando ou contando de forma diferente soa interessante, já que se trata de um velho que passa a ter devaneios, achei adequado. Mas como já disse, a linguagem é simples, qualquer pessoa entende, como qualquer pessoa poderia escrever dessa forma, não é nada tão inovador como eu ando ouvindo por aí...

Acredito que os velhinhos são as pessoas que mais nos ensinam. Me desculpem todos vocês, mas esse vai tarde...

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