sábado, 3 de outubro de 2009

afinal de contas, onde está a crítica?


Existe por traz do próprio filme uma crítica em cima das críticas que viriam a seguir? Será que Lars Von Trier, com este filme está dialogando com Duchamp sobre as pessoas que dão mais atenção pelo seu status adquirido anteriormente do que pela obra do presente em si? Será que "O Anticristo" não é a privada de Lars Von Trier ou eu estou viajando? Ou é preciso viajar para realmente ter uma leitura menos plastificada das obras? Serão vácuos de um homem de respeito (fez pra relaxar, pra disfarçar a falta de criatividade ou pra tentar enganar?)

Sinopse: casal tenta superar trauma da perda de seu filho numa viagem ao meio do mato.
O Anticristo é o novo filme do polêmico Lars Von Trier, um dos fundadores do Dogma 95 com Thomas Vinterberg- movimento com objetivo de realizar um cinema mais realista e menos comercial (como o modelo de Hollywood). Já com o fardo de grandes obras anteriores do cineasta, como Dogville, Dançando no Escuro e Manderlay, este longa chegou na mostra competitiva de Cannes deste ano sob a mira dos críticos sedentos por sangue nobre, e ao fim da sessão foi chupado até o osso sob chuva de vaias, mas acima de tudo, causando.

O problema em discutir um grande cineasta, muitas vezes é olhar tão fundo, procurar tanto, e acabar encontrando (como canta Ian Gillan) fumaça em baixo d'água. -O que você encontrou então espertinho? -O que eu encontrei seu nerd de merda? Eu encontrei Lars rindo da sua cara, ao passear na floresta com seu capuz vermelho sangue, cheio de ironia consigo mesmo e seu vazio criativo, ao falar de uma maníaca sexual que parece ter dupla personalidade (Charlotte Gainsbourg) que passa quase o filme todo com um psiquiátra- entidade; sem fraquezas humanas (Willem Dafoe) numa floresta brincando de médico e passeando por traumas da perda do filho e massacre da mulher durante a história da humanidade,- mais especificamente a caça às bruxas. Toda essa mistureba com muita monotomia e horror gore, mais para confundir do que para explicar; aquela falta de clareza apreciada pelos "cults".

Destaque para a abertura do longa, com uma cena deslumbrante- mais ironia do velho Lars ao dizer "posso soar bonitinho" justamente na tragédia que dá mote aos capítulos entediantes que seguem. Destaque também na atuação perfeita do casal Gainsbourg-Dafoe, perfeitos ao que se propõem nesta especie de cruza da Bruxa de Blair com ShortBus no Set (cinza) de A Dama na Água.

Lynch funciona porque é um sem noção declarado, mas assim, querendo ser levado a sério (talvez não), numa história que deixa constrangimento em imagens desnecessárias e incômodo- não pela crítica mas pelo preço do ingresso-, não rola.

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