domingo, 22 de novembro de 2009

um trago de demônios




Tenho uma porrada de coisas pra fazer. Não faço nada. Enrolo no tempo que não tenho, se é que existe mesmo essa de tempo. Dias vão e vêm, e no relógio mais um irmão gêmeo, no reencontro diário dos seus ponteiros. Preciso de uma reanimada. Esse ano que chega ao fim foi de auto- sabotagem; fiz tudo e não fiz nada. Preciso voltar ao fundo, transar com o mundo. Mais um semestre terminando, e eu enrolando..

Mais um dia, calor infernal! Mais ponteiros, calor infernal! Na livraria da rodoviária do Tietê bato o olho num nome. Lourenço Mutarelli. Memória, memória, memória... Cheiro do Ralo. Nem li o livro, mas putaqueopariu! Curti pra cacete o filme dirigido por Heitor Dhalia. Meus últimos papéis coloridos se vão. Valeu a pena. Ia gastar em breja mesmo. Os camaradas fazem a vez neste fim de semana.

Abro o livro, acabou. Foi num trago só. Eu num mergulho que fazia falta, entre o café e o calor infernal.

Esse foi realmente um achado. Narrativa seca, dinâmica e visual. É quase um roteiro a forma de escrita. Com passagens de tempo e espaço sem enrolação. E nem precisa, tamanho o domínio do cara, a compreenção é natural. Muita ironia, ilustrações que fazem pensar, acidez, humor negro, um cruzado direto nas idéias. Mutarelli solta o verbo e nos apresenta aos demômios de Miguel, o protagonista, neste "... antiromance policial, em que tenta mas não consegue investigar seus desejos, sendo arrastado inexoravelmente a uma trama que envolve pedofilia, possessão, seitas bizarras e múmias mexicanas". Como entrega perfeitamente o prefácio.

O livro acabou
Calor infernal!
Música, cinema, livraria.
Investigo em busca de um novo mergulho pra não queimar na explícita rotina.

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