terça-feira, 3 de novembro de 2009

uma trilha para kubrick




Quinto álbum de estúdio da banda britânica Muse, com vocês The Resistance:

 I
"O homem respira fundo, depois começa a caminhar na rampa rumo ao globo multicolorido, rumo a um mundo consfuso. Caminha na linha da paranóia, que hora se esquiva, hora tenta combater um inimigo poderoso, invencível, pesooal, de existência tal qual uma fênix, que renasce em cada fragmento de si mesmo. Um inimigo que bombardeia imagens e informações na velocidade da luz. Indissociável, que precisa ser combatido, mas não pode ser derrotado, pois são duas faces dependentes, de uma só moeda de carne."

II
"O homem se veste, se pinta e carrega suas armas. Vai ao campo de batalha, se fere, se levanta, escreve uma carta e guarda no esquecimento de um coração empoeirado pelo mundo de papel. O homem chora e sorri, tentando encontrar resquícios de uma humanidade falida, cheia de pílulas, tarjas e contatos sem rosto. Perseguido pela sombra, tenta a alma aquecer; um grito sufocado quando próximo da natureza de metal."

III
"O homem dos gritos surdos está em reverência eterna, curvado, frente a caixa de Pandora, extensão do corpo sem lógica. Sua alma aprisionada por uma tal polícia dos karmas, que faz plástico do corpo e do espírito"

FIM

Em seu quinto álbum, o Muse entoa um épico sobre uma guerra pessoal, conspiratória, que tenta traduzir estes tempos de paranóia e uma certa liberdade obrigatória imposta pela ditadura branca. Por todo álbum ecos temáticos de homens que atearam palavras nas cortinas do controle social, como Huxley e Orwell, através de música clássica, sirenes e rock combatente de arena, num caldeirão cyberpunk que remete até mesmo a Queen em alguns momentos. Bellamy e Cia compuseram uma bela trilha para Kubrick converter em imagens, em algum lugar, numa realidade alternativa.
O Muse nada no oceano da vida, tentando explorar novas ilhas, tentando encontrar os homens, e melhor não voltar, pois nas praias seguras, em terra firme, morremos de tanto "viver".

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