terça-feira, 29 de dezembro de 2009

dez bons filmes de dois mil e nove


Toda lista é e sempre será tendenciosa - veja artigo. A cadela ainda não assistiu todos os filmes de 2009, mas com o caldo que tem seleciona 10. Vetamos propositalmente os 2% já malhados pela indústria. Estão fora também bons blockbusters como Watchmen e Star Treck. Vamos ver mais um pouco da moeda, com a relevância de uma cadela verde. Aliás, não é verde por ser de outro mundo, mas por buscar um pouco além da generalização e por consequência falta de singularidade  a que a comunicação totalitarista tenta nos coleirizar.

A lista não é cronológica, de baixo para cima ou vice versa. Vem de lugar nenhum e vai sei lá para que canto. Nem numeração tem! Ordem alfabética é legal? Então pode ser.

A Onda (Die Welle) - Por falar em totalitarismo, esse filme canta a bola e lança grande questão para nossos tempos de "liberdade".

Amantes (Two Lovers) - No fim, legenda, ópera e um gosto amargo na garganta - a profundidade incomoda. É a vida.

Bronson (Bronson) - Tom Hardy dá show na pele do condenado mais famoso (e insano) da Inglaterra. Música clássica e violência ao melhor estilo da boa e velha laranja.

Deixa Ela Entrar (Låt Den Rätte Komma In/ Let the Right One in) - Mantém o nível da arte e beleza da  mitologia dos vampiros, desrespeitada pela febre Crepúsculo em primeira instância (uma espécie de Malhação com adolescentes dentuços, e nada mais).

Distrito 9 (District 9) - Ficção genial, empolgante e realmente nova, como não via desde o oriental O Hospedeiro.

Inimigo Público n° 1- Instinto de Morte (Mesrine: L' instinct de mort) - Muito se falou de outros inimigos públicos neste ano, mas não confunda, aqui Vincent Cassel destrói na primeira parte da cinebiografia de Jacques Mesrine, bandido que assustou a Europa nas décadas de 60 e 70. O elenco conta ainda com o grande Gérard Depardieu.

O Bom, o Mau e o Bizarro (The Good, The Bad and The Weid) - Inusitado remake de Sérgio Leone, e já cultuado longa este inusitado faroeste coreano.

Os Piratas do Rock (The Boat That Rocked) - Este londa divertidíssimo presta uma bela homenagem às revoluções das rádios rock piratas dos anos 60 na Inglaterra.

Simonal - Ningém sabe o duro que dei - Competente documentário sobre simona, do paraíso ao inferno.

500 dias com Ela ((500) Days of Summer) - Marc Webb assistiu os clássicos, chamou o casal perfeito e refez a roda. Sim, é uma comédia romântica, e irresistível.

sábado, 26 de dezembro de 2009

os dez discos mais ouvidos em dois mil e nove



2009 não trouxe grandes surpresas no cenário musical, mas sempre bate aquela vontade de listar tudo no final do ano: melhor show, melhor filme, melhor livro e agora vou listar os 10 melhores álbuns, ou pelo menos os mais ouvidos (por mim) em ordem aleatória, porque esse ano ninguém mereceu primeiro lugar em nada, infelizmente.


1. Noble Beast - Andrew Bird
2. My Maudlin Career - Camera Obscura
3. I Can Wonder What You Did with Your Day - Julie Doiron
4. The Law of the Playgournd - The Boy Least Likely to
5. The Crying Light - Antony and the Johnsons
6. Rules - The Whitest Boy Alive
7. The Eternal - Sonic Youth
8. It's Blitz! - Yeah Yeah Yeahs
9. Love Is Not Pop - El Perro del Mar
10. El Radio - Chris Garneau

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

encontros com woody allen - parte final

No último dia da mostra, domingo, dia 13, me despedi de Woody Allen em grande estilo, assisti Broadway Danny Rose (1984), filme de uma fase de ótimas produções de Allen, que acabou sendo fracasso de bilheteria e sumindo em meio a outras obras. Porém, o longa, em p&b é um grande show de comédia e conta com uma das melhores atuações de Mia Farrow, senão a melhor. Depois revi Husbands and Wives (Maridos e esposas, 1992), que como já disse no post passado, é incrível, e não sei quando terei a oportunidade de revê-lo. Aliás, se alguém souber onde posso encontrar o DVD desse filme, agradeço. Zelig (1979) foi a última exibição, mas fechei minha maratona com Annie Hall (Noivo neurótico, noiva nervosa, 1977), e depois de asisstir a tantos espetáculos, esse filme ainda consegue me convencer que é a melhor obra de Woody Allen, porque é a partir dele que Allen fala com mais propriedade, cinematograficamente, e passa a brincar com os roteiros de uma forma que posteriormente tornou uma de suas referências. Ele é uma ponte daquele Woody Allen que fazia comedias stand-up e o Woody Allen cineasta. Exagero meu? No final, o filme recebeu aplausos da fiel platéia.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

encontros com woody allen - parte 2

A primeira coisa que fiz quando cheguei ao CCBB semana passada foi pegar o meu catálogo com 477 páginas recheadas de críticas, resenhas, entrevistas, fotografias sobre a obra e vida de Woody Allen (além de um belo postêr de Manhattan). Para adquiri-lo, você pode trocar 5 canhotos de ingressos ou pagar R$ 20.


Na quarta-feira, 25, resolvi assistir a todos os filmes que estavam em cartaz, já que não tinha visto nenhum deles. The Curse of the Jade Scorpion (O escorpião de Jade, 2001) não conseguiu arrancar muitas risadas dos expectadores. Fraco. Já Manhattan Murder Mistery (Um misterioso assassinato em Manhattan, 1993) conta com Diane Keaton, fato esse que eu poderia parar de escrever por aqui, mas essa comédia/mistério é genial, você acaba se surpreendendo a cada cena com essa história que somente alguém como Woody Allen poderia ter criado, pois sabe trabalhar muito bem e com muito bom humor quando o assunto é morte. A Midsummer Night’s Sex Comedy (Sonhos eróticos de uma noite de verão, 1982) passou batido. Fechando o dia com Love and Death (A última noite de Boris Grushenko, 1974), também com Diane Keaton, é um dos primeiros filmes do cineasta, mas ao contrário de Bananas, por exemplo, não faz o gênero da comédia pastelão. Ótimo roteiro, ótimos diálogos.

Já no sábado, 28, tive a oportunidade de assistir ao primeiro filme (se é que posso chamar assim) de Woody Allen, What’s Up, Tiger Lily? (O que há, tigresa?, 1966). Fui sem saber do que se tratava e tive uma surpresa. Allen faz a dublagem apenas de um filme trash japonês (me corrijam se estiver errada), o nome original ele também não cita. É de morrer de rir, pelo menos pra quem gosta, por exemplo, de Tela Class, do Hermes e Renato, programa em que eles faziam o mesmo, aliás, acho que esse filme deve ter servido de inspiração, não?

Essa semana, 2, assisti Celebrity (Celebridades, 1998), em preto e branco (não consigo gostar de filmes novos em p&b, soa tão artificial). Allen não atua neste filme que, ao mesmo tempo que nos faz rir, consegue deixar uma crítica sobre a futilidade de repulsivos astros norte-americanos. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Em seguida Husband and Wives (Maridos e esposas, 1992, foto acima) me pegou despreparada. Neste mesmo ano Mia Farrow e Woody Allen se divorciam (escândalo Soon-Yi Previn), o filme é lançado em agosto e a separação ocorre em setembro. Apocalíptico porque no filme, Mia e Woody encenam um casal que no final, acabam se divorciando. Acredito ser um dos filmes mais bem escritos e mais intensos do diretor. Quando se fala neste longa, ele em si, não é a primeira coisa que vem a cabeça, mas sim uma série de fofocas, escândalos, etc. Portanto, antes de assistir, não quis ler nada a respeito para que a história que Allen viveu não influenciasse a história do filme.
Muitos não gostam dos momentos em que Woody Allen tenta ser sério, ou mais reflexivo. Eu até entendo, mas essa obra é realmente um caso a parte. É biográfico, ou mais biográfico do que os outros filmes, portanto, natural.