terça-feira, 2 de março de 2010

cadê a graça?


Embora eu não seja grande fã dos irmãos Cohen, fiz questão de assistir ao novo longa da dupla Um homen sério (A serious man) – talvez porque me resta um pouco de esperança em encontrar algum fragmento perdido de o Grande Lebowski (The Big Lebowski, 1998) em seus trabalhos mais novos que os faça recuperar o fôlego. Enfim, o sucessor de Queime depois de ler (Burning after reading, 2008) conta a história de Larry Gopnik, um cara judeu que vive no ano de 1967 e passa por uma série de desavenças, problemas no trabalho, no casamento...e de toda essa desgraça, pensava eu que a ideia era a de ridicularizar tais situações e fazer o público rir. Mas por trás de toda aquela fotografia colorida que Roger Deakins usou para contrastar aquelas cenas de tensão eu não consegui ver a válvula de escape que podia tornar o filme uma comédia. Humor negro? Sei que eles podem ser craques nesse quesito, mas não consegui considerar essa hipótese, já que, a meu ver o clima carregado acabou desmoronando e não houve piada que fizesse o filme recuperar sua força.

Os Cohen são conhecidos por seu sarcasmo e já ouvi muitos dizerem que seu humor é inteligente. Um homem sério satiriza a cultura/religião judaica, mas percebo que ainda falta muito para eles nos convencerem dessa “geniosidade”. A comédia – gênero que eu posso até não ter propriedade para discutir, mas todos sabem que nela é preciso ter repertório em cada diálogo, você critica, mas critica o que? E por quê? Eu não vi clareza nem argumentos para sua defesa. Eu vi um vazio. O filme pode estar longe de ser uma boa comédia, porém, mais distante ainda de ser um filme sério.

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