segunda-feira, 12 de julho de 2010

goodbye, my blue guy.

O que dizer quando seu super-herói morre?

Harvey Pekar era (sempre será) a prova do contrário. O contrário dos filmes com finais felizes, dos super-heróis fantásticos dos quadrinhos, o contrário de que tudo um dia acaba dando certo na vida.
Harvey nunca precisou criar um personagem para se auto afirmar. Ele era o personagem. Ao contrário de muitos, ele soube traduzir seu sofrimento, seus diários de um cotidiano muitas vezes negativo, para o papel, como fez por exemplo em American Esplendor, quadrinho que, com o bom uso de sua visão pessimista da vida, nos fazia dar boas risadas com seu humor negro, e, é claro, nos identificar, já que Harvey representava aqueles que possuem uma vida aparentemente sem graça, mas, como já disse, ele era o contrário e conseguia tornar situações despercebidas em algo simplesmente incrível.

E por isso não tenho como deixar de pensar nele quando estou sozinha em casa lendo um livro, escutando meus discos de jazz. Ou quando percebo que minha opinião é singular em meio às pessoas que me rodeiam na sala de aula. Ou quando vejo que não sou e nunca serei um padrão estipulado pela televisão. Ou quando tento passar em meus textos algo longe da ficção, descrever despercebidos momentos que duram poucos segundos.

Ao meu herói dedico um espaço no tempo. Kind of Blue, para você, o eterno blue guy.

Em memória de Harvey Pekar (1939 – 2010).

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