terça-feira, 7 de setembro de 2010

em busca de um presente perdido

Direito de Amar (A Single Man)

“Algumas vezes na vida tive momentos de absoluta clareza. Nesses momentos, por alguns breves segundos... o silêncio abafa o barulho, e eu posso sentir em vez de pensar. E as coisas parecem tão claras... e o mundo parece tão revigorante. É como se surgisse uma nova ordem. Não posso fazer com que tais momentos perdurem. Eu me agarro a eles, mas, como tudo, eles se dissipam. Eu vivi desses momentos. Eles me trazem de volta ao presente, e eu me dou conta de que tudo está exatamente como deveria estar”


George assiste as paisagens cotidianas e procura seu lugar, procura compreender o porque de sua condição, perdido do que durante muito tempo e sem dúvidas teve como seu; um lugar no mundo, motivação para respirar profundamente e devolver um ar ainda mais vivo ao próximo. Agora se afoga num sonho, num devaneio constante, angustiado.

Não, ele não pode beijar Jim...

E nas idas e vindas de uma vida sem este ar, esbarra em lanternas que renovam, ainda que pouca, a luz de um coração desolado. As lanternas são Charley (Julianne Moore); uma ex-namorada solitária e envolta no medo de novas experiências após ser deixada por seu companheiro. E Kenny (Nicholas Hoult, o menino de Um Grande Garoto), seu aluno e simbolicamente um George de outrora, cheio de questionamentos e em busca de fixar com propriedade sua bandeira no mundo, além de ser a peça chave para o fim dos pesadelos de um homem sem novos lampejos e apenas absorto por sorrisos de um passado distante, agora apenas em suas memórias.

Direito de Amar só tem de ruim a tradução bobinha do título. Pois no todo é um filme sensível e de atuações impecáveis, daqueles tão tristes e profundos que derramam lágrimas pela beleza, para que um largo sorriso seja fruto do porvir.

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