segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

antes do sol se pôr,



se pôr dentro de mim e eu espero que não se ponha nunca. Faz quase um mês e eu ainda lembro perfeitamente. A tarde do dia 20 de novembro era de sol. Mas muito sol mesmo. Que isso fique bem claro...

O festival Planeta Terra tornou-se para mim e para alguns amigos um dos dias mais aguardados do ano. A volta do Pavement e seu primeiro show no Brasil!
Mas não é sobre eles esse texto. Eu estava muito ansiosa para assistir ao show do of Montreal, que, também faria uma apresentação inedita aqui. Mas como o Pavement também estaria, ficou em segundo, terceiro, quarto plano...quer dizer, não que eles fossem tocar no mesmo horário, mas a banda que ficou por mais tempo circulando dentro dos nossos ouvidos (ou dos meus ouvidos) foi o Pavement. Enfim.

Dez minutos antes do of Montreal subir ao palco eu estava desesperada, pois não conseguia me mover e sair daquela multidão de fãs (do Mika, mas que chegaram cedo demais) para comprar um copo d’água, estava morrendo de calor e quase deixando o mau humor tomar conta de mim.

Mas aí uma carpa gigante armada de duas metralhadoras subiu ao palco. E ela atirou e a bala foi direto na minha cabeça. A primeira bala da sequencia desse tiroteio foi Black Lion Massacre e eu me acalmei. Quer dizer. Eu saí do meio daquela multidão e fui para o palco. Pelo menos foi o que eu senti. Então Kevin Barnes apareceu e eu pulei o mais alto possível e ficamos cara a cara e cantamos Coquette Coquette e então ela passou a ter outro sentido.

Ainda nas alturas dancei com a banda toda ao som de Suffer for Fashion e tivemos uma festa particular ao som de The Party's Crashing Us. Nesse momento eu matei minha sede e nem sequer sentia o calor daquele asfalto em que meus pés estavam plantados antes do show. Eu estava bem longe.

A sequencia de tiros de endorfina ou do que quer se seja que aquelas balas de música possuem seguiram com Our Riotous Defects, Like a Tourist, Wraith Pinned to the Mist (and Other Games) e eu sinceramente não me lembro em que música isso aconteceu, mas pude compartilhar minha alegria com um dos dançarinos quadriculados, que pulou em minha direção e apertou muito forte a minha mão e esse momento durou quase uma eternidade e minha mão mudou de cor.

Como se não bastasse escutar Bunny Ain't No Kind of Rider durante aquele final de tarde, com direito a um notável por do sol com todos os tons imagináveis, admirado também por Kevin Barnes, cantei o hino Gronlandic Edit e esqueci para sempre toda a beleza desperdiçada.

Perto do fim She's a Rejector me trouxe memórias de anos atrás e, se eu não soubesse que o por do sol pintado por alguém exclusivamente para aquele show fosse durar para sempre, ficaria triste com a última bala daquela metralhadora sonora, A Sentence of Sorts in Kongsvinger deixou o palco pequeno com a presença de todos os integrantes do of Montreal e celebrou uma das despedidas mais felizes que eu já pude presenciar. ´


Algumas fotos do festival estão no meu flickr.

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