quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

sobre décadas e a velha mania de criar manias

Fale com alguém que não tenha vivido na época e goste de artes em geral. Não quero generalizar, apenas passar uma certa ideia da velha mídia de massa, sem querer bater numa velha tecla, mas é tecla forte caro leitor!

Vamos lá! Você não viveu na época; comprou revistas dessas "especiais" que adoram sintetizar 10 anos em 10 páginas, perguntou pro tio gente boa que estava em Marte mas de vez em quando ouvia umas notícias no radar das bocas e das janelas altas...

Daí você começa a pensar na história toda. Tudo bem, tem lá suas diferenças, mesmo porque é "cool" ser diferente e "cult" ser pseudo não é mesmo? Não se ofenda, eu sou apenas o cantor... Traçamos a linha do tempo, vamos por música pop, rock' n' roll! É muitas vezes bom, volta meia popular, e que bom quando não feito pra ser populista.

Um cara da uma rebolada ali, canta um negro acolá, o outro menino dos cabelos cacheados eleva a outro patamar, e os 4 meninos fantásticos viajam com graça, tem até um que mostra o lado selvagem da noite e outro que sangra em cacos e revolta. Depois a galera dá uma acelerada na coisa toda, enquanto outros tentam expandir a viagem....

Bandeiras se levantam, alfinetes são espetados e gritos são bradados. Entra em cena muita cor berrante de ou lado e um céu cinza acima de um tom P&B abaixo, lá em baixo... Novos astros sobem, outros caem, sempre. Uns aguentam a barra, outros não suportam o peso do espírito adolescente. Até as máquinas dialogam, de certa forma há muito tempo, e cada vez melhor no caso de alguns.

Fora tudo isso tem muita coisa, muitas drogas e sexo se preferir, de prache e pelo clichê, mesmo por que às vezes na fuga viramos um. Tem muita coisa e você sempre saca tudo, sem precisar nem mesmo dar nomes as bois. E o problema é exatamente esse. Mil nomes e mais os do porvir aos mesmos bois de sempre...

Agora eu caio aqui, em frente a esse computador, pensando que a década está acabando. E pensando que nem um idiota, quem são os bois da vez?..................... Aposto que no intervalo dessas reticências você pensou e se esforçou para buscar alguns nomes. E que armadilha em amigo, mas o que percebi e feliz por tal percepção, é que são muito mais nomes nessa década, a que descobri muita coisa, e tenho acompanhado de diversas formas o cenário quase que por completo. Não, eu não sou um sociólogo, não sou um grande mestre em história da música dos anos 2.000 mas claro, cresci e pertenço em carne e ossos, mais ossos que carne nos dias nessa época.

E então fico mais feliz ainda por notar que este veículo, vem buscando novas formas de diálogo, algo mais pessoal e diferente do que vemos por aí em geral. Palavras e nomes, olhares menos massificados, sem fechar as portas, sempre deixando brecha para a deliciosa relatividade que é sempre bem vinda.

Sim leitor, o cadela verde não quer salvar o mundo, apenas ser sincero. O cadela verde não quer o amanhã agora, apenas mais personalidade, para que os filhos das próximas décadas encontrem ainda mais pérolas do passado, mas que abrace seu presente com mais sabores e não envoltos num plástico, sem gosto verdadeiro, sem contato, sempre igual, sempre igual... Quando o preconceito é escrito pela ditadura branca de cada presente de grego e perdida é nossa individuação, individualização, individualiberdade.


*Obs: as 3 palavras finais do texto foram extraídas com muito carinho do poema introdutório de Marco Aurélio ao texto para teatro A Perseguição ou o longo caminho que vai de Zer a Ene, de Timochenko Webbi.

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