quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

um salvador de carne e osso


Vladimir Herzog, Carlos Mariguella  lutaram e caíram pela ditadura no Brasil. Mas como tudo que é organizado (para o bem ou para o mal) não foi só aqui que rolou luta armada contra a repressão e direito por liberdade de escolhas.

Salvador Puig Antich é um desses heróis que não podemos esquecer, pois nos deixa antenados e de olhos bem abertos para que saibamos qual lado escolher diante dessa desgraça, da qual jamais estaremos distantes, conhecendo bem o homem quando tomado pelo signo da ganância e do poder.

Este longa de 2006, que apesar de ter participado da seleção oficial Un Certain Regard em Cannes nem foi divulgado por aqui, talvez porque seja bom e não tenha "defeitos especiais". Narra a história real do militante, assaltante de bancos e anarquista Salvador Puig Antich (Daniel Brühl - Adeus Lênin, Bastardos Inglórios), integrante do grupo Movimiento Ibérico de Liberación, cuja execução em 1974, a última realizada na Espanha com o método do garrote, instalou uma polêmica que ajudou a decretar o fim da ditadura franquista e o retorno da democracia ao país.

Salvador conta com uma ambientação de primeira, trilha sonora das boas (Jethro Tull, Leonard Cohen...) e tensão marcante na parte final, de comer 11 unhas confesso. É importante também ressaltar a convivência entre Salvador e o guarda que o supervisiona na cadeia, que aos poucos vai se transformando de um profundo ódio cego e ignorante em lágrimas e respeito.

Porém este é daqueles filmes onde mais do que os méritos cinematográficos, valem pela relevância da mensagem que passam. Uma homenagem póstuma a pessoas que precisam permanecer vivas, por verem em tempos sombrios o cenário por completo, terem ido a luta mesmo quando seu "deus" prega a matança e desova da inocência e da justiça.

Um comentário:

  1. desculpe, mas o filme , nao consegue alcançar o merito politico (se e ke ele existe)de salvador puig. o grande merito esta na incompetencia do carrasco ke por ter prolongado a execuçao fez reconhecer a crueldade do metodo.o filme mostra uma organizaçao fraca, tanto ideologica, como tecnicamente(se assemelha a atuaçao do carrasco)que se dissolveu de forma leviana,desacreditada e insensata. nao provocou nenhuma modificaçao politica seria. puig e o martir da pena de morte, nao da politica frankista. mas o filme provoca, sim,as emoçoes que voce descreve, o ator e fantatico, sabe trabalhar magnificamente as expressoes do olhar, deve ter formaçao indiana de teatro. foi ele quem fez o filme, nao desabar, numa historia inconsistente.

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