segunda-feira, 29 de março de 2010

ah se o oscar falasse...



Sempre vale uma reflexão quando se trata do mais famoso de um segmento. O que é o caso, quando se trata de premiação do ramo cinematográfico.


Se por um lado não se pode negar que grande parte dos filmes que influenciam, marcam e preenchem a maior parte da lista de favoritos, passam pelos 45 segundos emocionados- ou não- dos vencedores da noite de gala; por outro lado alguns levantamentos precisam ser feitos, mesmo para incitar algo a mais que a cega babação e o consentimento adestrado de nós, os espectadores.



1º- Ninguém (ou sou o único?) viu algum dia m relatório final, com as conclusões do júri que esclareça o porque das escolhas dos vencedores.

2º- Quem dá o prêmio é a mídia e as especulações antecedentes a noite do tapete vermelho, ou o júri? Afinal de contas, quando fomos realmente surpreendidos? Todos apostaram em "Avatar", que pagou a festa, mas tinham em "Guerra ao Terror" algumas fichas gastas. Resultado: o 2º mais óbvio vence, assim como foi no ano passado, no embate entre "Quem Quer Ser um Milionário?" e "O Curioso caso de Benjamin Button".

3º- É de se levar a sério uma premiação que põe os “garotos” de casa na premiação principal e segrega TODO o resto do planeta ao absurdo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro? Vamos lá, coragem Hollywood!!!

Agora vai a dica de 3 filmes que estavam lá, e como era esperado não levaram nenhuma estatueta, mas trouxeram vitalidade e originalidade em seus enredos.


Distrito 9


Graças ao olhar atento de Peter Jackson (Trilogia O Senhor dos Anéis), o diretor sul africano Neill Blomkamp realizou essa ficção científica em que se utiliza da coexistência entre humanos e extraterrestres para falar de racismo, xenofobia e segregação racial. Dissimulado, Blomkamp recorreu a ficção para tecer sua visão de mundo sem que dê muito na cara.





A Teta Assustada


A Teta Assustada é o nome que se dá a uma suposta doença transmitida pelo leite materno, que afeta filhas de mulheres que foram violentadas. Este longa peruano escrito e dirigido por Claudia Llosa, e que levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim, se utiliza da história recente do país, de violência, terrorismo e instabilidade social entre 1980 e 2000, para contar a história exótica e Fausta (Magaly Solier), que em sua interpretação silenciosa, representa o fruto traumático das mulheres violentadas no país.



Coraline & o Mundo Secreto


Baseada no livo infanto-juvenil de Neil Gaiman, essa animação de Henry Selick é uma pedra preciosa, com ecos de "Alice no País das Maravilhas" e traços burtianos. Concorreu ao prêmio de melhor animação no Oscar- premiação que foi redundante, já que "Up! Altas Aventuras" concorria ao prêmio de melhor filme. Vale a pena pela história cativante e riqueza de imaginação.

terça-feira, 2 de março de 2010

cadê a graça?


Embora eu não seja grande fã dos irmãos Cohen, fiz questão de assistir ao novo longa da dupla Um homen sério (A serious man) – talvez porque me resta um pouco de esperança em encontrar algum fragmento perdido de o Grande Lebowski (The Big Lebowski, 1998) em seus trabalhos mais novos que os faça recuperar o fôlego. Enfim, o sucessor de Queime depois de ler (Burning after reading, 2008) conta a história de Larry Gopnik, um cara judeu que vive no ano de 1967 e passa por uma série de desavenças, problemas no trabalho, no casamento...e de toda essa desgraça, pensava eu que a ideia era a de ridicularizar tais situações e fazer o público rir. Mas por trás de toda aquela fotografia colorida que Roger Deakins usou para contrastar aquelas cenas de tensão eu não consegui ver a válvula de escape que podia tornar o filme uma comédia. Humor negro? Sei que eles podem ser craques nesse quesito, mas não consegui considerar essa hipótese, já que, a meu ver o clima carregado acabou desmoronando e não houve piada que fizesse o filme recuperar sua força.

Os Cohen são conhecidos por seu sarcasmo e já ouvi muitos dizerem que seu humor é inteligente. Um homem sério satiriza a cultura/religião judaica, mas percebo que ainda falta muito para eles nos convencerem dessa “geniosidade”. A comédia – gênero que eu posso até não ter propriedade para discutir, mas todos sabem que nela é preciso ter repertório em cada diálogo, você critica, mas critica o que? E por quê? Eu não vi clareza nem argumentos para sua defesa. Eu vi um vazio. O filme pode estar longe de ser uma boa comédia, porém, mais distante ainda de ser um filme sério.