quinta-feira, 27 de maio de 2010

i fucking love you, Charlyn Marshall!



Pensei que deixaria de acompanhar totalmente a programação da Virada Cultural deste ano, o que de fato aconteceu – aqui na capital. Porém a Virada Cultural Paulista demonstrou uma programação diferenciada, trazendo nomes como Mudhoney, Yann Tiersen e, para minha alegria, Cat Power.

A cantora-norte americana se apresentou no sábado último (22) na cidade de Jundiaí e no dia seguinte em São José dos Campos, no Parque da Cidade, onde estive presente.

O primeiro show da Cat Power que assisti foi no ano passado na Via Funchal, e como já escrevi aqui, foi sublime. A dúvida que ficou esse ano era de como um show com praticamente o mesmo repertório da apresentação anterior pudesse causar o mesmo impacto que causou na fria e intimista noite de julho ano passado, já que desta vez o show era a céu aberto e – sem subestimar ninguém, um público mais genérico, já que, além de fãs, também estavam presentes famílias, políticos entre outras pessoas que foram apenas passar o domingo no parque. Pois é. Foi diferente.

Enquanto o roadie da banda e outros técnicos arrumavam o palco antes do show, a música ambiente oferecida pela produção era da pior qualidade e nada tinha a ver com o público da cantora. Entrando com quase uma hora de atraso - já que os equipamentos sonoros custaram a “funcionar”, Cat Power chega, com um ar tímido no rosto, porém acenando para o público. O microfone chiando e vamos lá: Don’t Explain é a música que inicia a apresentação que, a meu ver parecia condenada devido à má qualidade dos equipamentos. Cheguei a pensar que ela iria desistir e ir embora. Mas o que aconteceu foi o inesperado. Chan nunca esteve tão simpática, declarando seu amor pelo Brasil várias vezes, mandando beijos e fazendo até piadinhas com o público – bem diferente daquela mulher que assisti ano passado em que disse apenas um ”boa-noite” para os fãs.

O show seguiu basicamente com teclado, guitarra e às vezes o roadie da banda arriscava algumas músicas na bateria. O repertório incluiu faixas dos álbuns The Greatest, Jukebox e do EP The Dark End of the Street, como Sea of Love, Angelitos Negros, Metal Heart, Song to Bobby, Woman Left Lonely, Live in Bars, The Greatest, entre outras.

Eu tive a sorte de ficar na grade, olhando nos olhos de Chan o tempo todo, porém quem estava entre o palco e a grade eram fotógrafos, jornalistas, diversos políticos e “seus camaradas” e uma banda que quase dormiu no show. Ou seja, tirando aqueles que estavam trabalhando, o “privilégio” de estar mais próximo da cantora foi dado para as pessoas erradas. Eu vi mais flashs dos fotógrafos na cara do prefeito do que nos músicos.

Logo no começo do show, Chan Marshall disse que gostaria que todos seus fãs estivessem ali no palco, perto dela. Felizmente seu desejo foi realizado: A cantora assumiu a bateria e junto à guitarra tocaram I wanna ber your dog, dos Stooges e dado este momento, percebi que alguns fãs estavam invadindo a área do palco, driblando os seguranças, e, inúmeras pessoas pularam a grade para se aproximar de Cat Power. A organização não soube muito o que fazer e agradecida, a cantora termina a música e vai ao encontro dos fãs para distribuir flores (das quais ganhei uma!), dar adeus e dizer para seus fãs já enlouquecidos: “I fucking love you” e ir embora.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

o eterno caso de amor de woody allen



O que vou contar aqui não é novidade pra ninguém. Mas quando assisti Tudo pode dar certo (Whatever Works, 2009), último filme de Woody Allen gravado em Nova York, pude sentir o mesmo entusiasmo que Woody Allen demonstrava em filmes como Manhattan (1979), por exemplo, ao descrever a cidade norte-americana. Claro que o roteiro de Tudo pode dar certo ajuda e muito a criar esse clima nostálgico, nos fazendo lembrar de antigas obras do diretor, já que o roteiro foi escrito em 1977. Mas acredito que a data não importa, já que, depois de 32 anos o filme chega às telas com o mesmo frescor, com o mesmo ritmo que víamos Woody Allen narrando na década de 1970.

Larry David encarna Woody Allen de forma, desculpe o exagero, impecável. David interpreta o físico ranzinza Boris Yellnikoff, que vive a criticar a raça humana e num momento inesperado de sua vida encontra uma garota que pensa de forma totalmente oposta a ele. A garota fugiu de casa e começou a morar com Boris. Logo, sua mãe e por final seu pai vão para a cidade também.

Todos os personagens da família sofrem mudanças, ou se revelam no decorrer da história, graças à Nova York e suas possibilidades. Woody Allen mostra que está falando sobre algo que o pertence, e, mesmo demonstrando tanta paixão pela cidade, ele ainda consegue satirizar alguns “tipos” que surgem em qualquer metrópole, como pseudo-intelectuais e os estereótipos que inventam para definir o que é arte ou não e até mesmo sobre o conceito de felicidade.

Mas por trás de tanto sarcasmo pode-se dizer que Tudo pode dar certo é um filme feliz a primeira vista, se você não desconfiar do final forçado em que Boris tenta se suicidar cai em cima de uma vidente e acaba ficando com ela.



Leia também a cobertura que fiz na mostra do cineasta ano passado no CCBB:


encontros com Woody Allen - parte 1


encontros com Woody Allen - parte 2

encontros com Woody Allen - parte final