quarta-feira, 4 de agosto de 2010

democracia e fluorescência


Você não precisa ter vivido em Nova Iorque na década de 80 para assimilar as obras de Keith Haring quando se escuta falar desta época. Grafite, metrô, hip hop eram elementos homogêneos e Haring provava isso de forma simples, porém inigualável.

Hoje a arte ganha muito mais espaço em lugares “incomuns” como em intervenções urbanas e através de formas alternativas de divulgação. Há vinte anos isso era um pouco diferente. Existiam os grafiteiros, mas o reconhecimento que estes artistas mereciam não parecia ser assunto a ser discutido. Contrariando esses valores, Keith Haring foi descoberto pelo grande público através de suas ilustrações nos espaços para anúncios vagos nas estações de metrô em Nova Iorque e pelas ruas afora, comunicando ao mundo que a arte não nasce precisamente dentro de uma boa escola. Haring desistiu de seus estudos na Ivy School of Professional Art, em Pittsburgh decidido a criar sua própria marca.


Keith Haring nos deixou há 20 anos e para celebrar suas obras cheias de vida a Caixa Cultural (Conjunto Nacional, Avenida Paulista, 2.064) realiza a exposição Keith Haring – Selected Works, uma mostra que acontece até o dia 05 de setembro com cerca de 94 ilustrações originais do artista, entre elas as coleções The Blueprint Series, The story of red and blue, Apocalypse – criada em 1988 ao lado do querido beat William Burroughs. Ainda podem-se ver objetos pessoais, fotografias e dois vídeos. Vale a pena conferir de pertinho desenhos que fizeram parte de nossa vida muitas vezes sem nos darmos conta.

Haring realizou um trabalho que ia além de coloridos bonequinhos, cachorros e golfinhos, ele democratizou a forma de se fazer arte e de usá-la para discutir questões atuais da humanidade, como o amor, a luta contra a AIDS e contra o racismo.

Sem querer “moralizar”, mas tento imaginar o que estes criadores de um passado nada distante pensariam desta sociedade “pós-tudo”, carente de uma idéia ou preguiçosa mesmo. Li uma frase de Keith que dizia mais ou menos assim: Às vezes tento esquecer de tudo que li, que ouvi, que vi para poder criar algo novo. E nós aqui buscando apenas referências dos outros e vivendo uma pseudo-intelectualidade cansativa e sem graça.