segunda-feira, 25 de outubro de 2010

fazendo de 2010 1990

O Brasil,e mais especificamente o estado de São Paulo, está recebendo neste ano uma grande leva de bandas internacionais que surgiram ou tiveram maior repercussão na década de 1990. Algumas dessas bandas já se apresentaram por aqui, mas outras tocam no País pela primeira vez. Nesta reportagem buscamos discutir, com a ajuda de nossos entrevistados, o fato de bandas ‘das antigas’ só estarem se apresentando em nossas terras depois de duas décadas ou mais. Também tentamos entender o porquê desta “coincidência” de grande parte dos shows e festivais estarem recebendo bandas dessa geração e, claro, apresentá-las a você por meio de minibiografias, discografias, vídeos, fotos, curiosidades e resenhas sobre os tão aguardados shows.


No dia 28 de abril de 2010, Laetitia Sadier, vocalista da banda britânica Stereolab, formada em 1990, fez uma apresentação solo no Sesc Vila Mariana. Apesar de o show ter sido intimista e sem a companhia de sua banda, ele já foi uma amostra do que viria a ser o ano de 2010, já que este foi o primeiro evento de uma banda ‘noventista’ neste ano.

No mês de maio foi a vez dos escoceses do Camera Obscura (leia resenha aqui), banda na ativa desde 1996, com quatro discos lançados durante sua carreira. O sexteto se apresentou no Studio SP, em São Paulo, e no Clube Nox, em Recife, durante a 4ª edição do Whisky Festival.

Primeiramente, a banda iria fazer apenas um show, no Studio SP, no dia 26 de maio. Ao todo, foram vendidos apenas 250 ingressos estes acabaram em pouquíssimas horas. Em resposta à reação de revolta e à tristeza dos fãs, que não são poucos, o clube de Alê Youssef e a banda negociaram mais uma apresentação no local, no dia 26 de maio.

O mês de setembro, no entanto, foi um pouco mais barulhento. A 6ª edição do Coquetel Molotov aconteceu nas cidades de Salvador, Recife e São Paulo, trouxe, com exclusividade, outra banda que nunca havia se apresentado por aqui: o trio de Massachusetts, EUA, Dinosaur Jr (leia aqui a resenha). Apesar de ter lançado seu primeiro disco em 1985, o grupo obteve maior repercussão na década seguinte, influenciando, ao lado do Sonic Youth (que, a propósito, esteve aqui ano passado, durante o festival Planeta Terra), bandas do circuito alternativo que faziam parte de movimentos como o grunge e o indie rock. Um dos fundadores do projeto Coquetel Molotov, Jarmeson de Lima, conta que “a produção da banda foi atenciosa e quis mesmo vir pra cá e tocar no festival, minimizando coisas mais difíceis de equipamentos de som e rider. O resultado foi esse que vimos: gente alucinada com os shows e mais uma banda que marcou história em nosso festival”.

Em São Paulo, o Coquetel Molotov foi realizado no Comitê Club, nos dias 27 e 28. A banda também fez uma pequena apresentação na Praça Marechal Cordeiro Faria, durante o festival de skate Adidas Skateboarding Demo, durante à tarde do dia 27. O show da Praça Marechal tornou-se, ao mesmo tempo, uma espécie de consolo para os fãs que não tiveram a oportunidade de participar dos shows que eles fariam durante a noite, e um delicioso aperitivo para os que tinham seus ingressos em mãos.

Já nesse mês (outubro), aconteceu um grande festival, o SWU (Starts With You), nos dias 09, 10 e 11 na cidade de Itu, interior de São Paulo. O evento é o maior festival de música desse ano, sediado em uma grande fazenda, a Maeda.

Durante os três dias de festival, bandas noventistas, como o The Queens of the Stone Age e Pixies, estiveram de volta e, mais quatro bandas norte-americanas se apresentaramno País pela 1ª vez: o trio norte-americano Yo La Tengo, um dos pioneiros do indie rock, que surgiu no final da década de 1980, o Rage Agains the Machine, banda na ativa desde 1991, que sofreu uma pausa em 2000 e voltou em 2007, o Incubus, formada em 1995. E, ainda, o Sublime with Rome, antigo Sublime, que estava em hiato desde 1996, devido à morte de seu vocalista Bradley Nowell.

O designer Vitor Boccio diz ter se interessado pelo SWU principalmente por causa das bandas de rock dos anos de 1990, como Rage Against the Machine, Incubus, The Queens of the Stone Age, e do início dessa década, como o The Mars Volta e Linkin Park. Boccio se surpreendeu com o Rage Against the Machine: “A banda foi simplesmente espetacular. Zack de la Rocha e Tom Morello deram um show a parte. O Zack agitou a galera para entrar na pista premium, que invadiu na mesma hora”, e com o Queens ofthe Stone Age: “Foi o melhor show do festival, ao lado do Rage Against the Machine. Com um setlist impecável, chegaram ao ápice em "Little Sister" e "No one Knows", encerraram com "A song for the deaf", do último CD.

Novembro também será um mês marcante. No dia 10, os escoceses do Belle and Sebastian finalmente voltam a São Paulo para se apresentarem no Via Funchal. No Rio de janeiro, se apresentarão no Circo Voador, dia 12. A banda não se apresentava por aqui desde 2001, no extinto Free Jazz. Esse ano também tem sido importante para a banda, eles acabaram de lançar o disco “Write About Love”, e também para os fãs, como a editora Clara Mazini: “Gosto muito do Belle and Sebastian e não esperava por esse show. Estou muito feliz e acredito que será um momento muito especial para os fãs, que há quase dez anos esperam pelo show”.

E para encerrar um ano regado de muita guitarra e coberto de flanelas xadrez, no dia 20 de novembro acontece o Planeta Terra, que receberá Smashing Pumpkins e mais duas bandas estreantes no Brasil: of Montreal, que está lançando, este ano, seu décimo disco, o "False Priest"; e o Pavement, que depois de uma pausa de 10 anos, está voltando aos palcos.

Para alguns, o Planeta Terra parece ser o festival mais esperado do ano, como para o ilustrador e quadrinista Amilcar Pinna, que diz achar que “este ano está sendo muito legal para quem foi adolescente nos anos 90 e para quem curte boa música. Já veio Dinosaur Jr e Pixies. No Planeta Terra vai ter Pavement e a banda que eu mais gosto, SmashingPumpkins. Mesmo sem os integrantes originais, tenho que ver o Billy Corgan ao vivo. Me arrependo de não ter ido ao show do Faith no More e do Sonic Youth no ano passado”. Amilcar finaliza: “esse ano vai compensar todos os shows que perdi na vida”.

O colaborador do canal “Música” do site Omelete, Rodrigo Lima Monteiro explica essa “imigração” de bandas para o território brasileiro. Segundo ele “devido ao encolhimento do mercado de shows na Europa e América do Norte, justamente por causa da crise econômica que atingiu esses dois continentes de maneira mais danosa, os produtores locais têm investido cada vez mais para trazer mais bandas médias/grandes e produzir grandes festivais”.

Monteiro comenta sobre a questão de tantas bandas de uma mesma geração estarem nos visitando este ano: “Bandas que, anteriormente, jamais viriam ao País, fosse por falta de interesse, fosse pelos altos cachês, voltam seus olhos para cá em busca de públicos "frescos", que ainda mantém o interesse em vê-las, principalmente pelo ineditismo que isso representa.” Finalizando, ele diz acreditar que esse fato não é mera coincidência: “Devido a isso tudo, não creio que seja apenas uma coincidência que diversas bandas dos anos 1990 estejam desembarcando no Brasil pela primeira vez, e sim, uma confluência de fatores que quase "as forçam" a tal sob pena de terem suas carreiras abreviadas”.

Jarmeson Lima também comenta um pouco sobre essa questão. Ele aborda dois motivos principais que fizeram bandas dessa época virem esse ano pra cá: “No auge dessas bandas nos anos 1990, a economia brasileira não permitia que produtores independentes trouxessem aquelas bandas pra cá. É bom lembrar que era uma época onde só as grandes marcas faziam festivais e de modelos gigantescos para trazer as bandas que faziam sucesso na época. Só com muita sorte pra ver alguma atração nesses eventos que fosse parte do rock underground dos anos 1990. Trazer bandas que ainda estão na ativa hoje é como se fosse algo para reparar a "injustiça" de nunca terem vindo ao país”.

Em clima de nostalgia finaliza: “Ao mesmo tempo, o público que viu aquelas bandas na MTV ou ouviu os CDs e vinis naquele tempo cresceu, não deixou de curtir a música deles. Já é hoje em dia um público "saudosista", mas fiel, que certamente iria comparecer a um show de qualquer banda boa dos anos 1990. E como naquela época, este mesmo público era ainda bem novo, ver uma banda como Dinosaur Jr ou Pavement ao vivo hoje é como realizar um sonho de infância”.

domingo, 17 de outubro de 2010

feliz aniversário



feliz aniversário é uma versão de um conto meu adaptado para HQ pelo meu amigo Amilcar Pinna




domingo, 3 de outubro de 2010

dinossauros, amplificadores e muita distorção


Posso dizer que essa foi a semana mais barulhenta do ano. E uma das melhores. Tive a chance de assistir a dois shows do trio Dinosaur Jr, banda que surgiu em 1985, e que sofreu uma pausa em 1997, década em que tiveram maior repercussão na cena do rock alternativo. A banda voltou a ativa em 2005 e nunca havia tocado por aqui.

Depois de mais de duas décadas J Mascis, Lou Barlow e Emmett Patrick Murphy visitaram pela 1ª vez terras brasileiras, passando por Salvador, Recife e São Paulo durante a 6ª edição do festival Coquetel Molotov.

Na terça-feira (28), o Dinosaur Jr tocou na Praca Marechal Cordeiro Faria, São Paulo em plena 14h de uma tarde nublada, durante o festival Adidas Skateboarding Demo. A banda tocou em baixo de uma tenda de plástico, sem palco, sem frescura e com parte de suas muralhas de amplificadores Marshall. Algumas pessoas conseguiram trocar algumas palavras com os integrantes, o máximo que eu consegui foi me aproximar um pouco para fotografar o vocalista J Mascis, que não largava sua garrafa de Coca-Cola por nada e já estava de partida. O repertório de apenas cinco músicas como Feel the Pain e The Wagon, não durou trinta minutos, mas animou o dia de todos que estavam presentes no evento e me deixou ainda mais ansiosa para assistir ao show do dia seguinte (29) no Comitê Club.
No dia seguinte cheguei cedo na Rua Augusta e entrei no clubinho logo que ele abriu, às 22h. Enquanto aguardava o show com meus amigos e escutava desatenta o set de músicas da década de 1990, pude ver os dinossauros entrando pela porta da frente do Comitê Clube e passando por todos na pista, caminhando em direção ao camarim.
                                   
O show estava marcado para as 23h, mas começou quase meia noite. Sem trocar palavras com seus fãs, o Dinosaur Jr subiu ao palco carregado de amplificadores e não perdeu mais tempo. O ambiente estava quente e Murph, o baterista logo tirou a camisa e assim deram início a primeira música: The Lung. Ouvidos preparados e lá se foram músicas como Pieces, Get Me, Raisans, Out There, Freak Scene, Feel the Pain, Over It, The Wagon, fechando a noite com a versão matadora de Just Like Heaven e um improviso estridente de Mascis e sua guitarra que, sem dúvida alguma, já é uma lenda, assim como o ensurdecedor Dinosaur Jr.