terça-feira, 16 de novembro de 2010

write about love: belle and sebastian em são paulo


Até agora só li textos preguiçosos a respeito do show do Belle and Sebastian do dia 10 de novembro no Via Funchal. Exemplo disso foi o uso de um estado de temperatura para avaliá-lo. Morno parece ter sido a palavra-chave de muitas resenhas. A “objetividade” dos textos nada tem a ver com a imparcialidade, já que, por mais raso que eles sejam, encontrei vários insultos gratuitos sobre o repertorio e sobre os integrantes do Belle and Sebastian.


Ninguém busca numa resenha afirmações que o show foi perfeito e declarações de amor sobre a banda. Mas um fã (ou qualquer outro leitor) precisa de informações relevantes no texto e precisa que ele seja escrito por alguém que entenda do que está falando.
Esse blog não é dedicado a textos objetivos e não tem como objetivo a busca pela imparcialidade, simplesmente porque acreditamos que ela não existe. Ele é simplesmente um laboratório e aqui, ao contrário daqueles que se intitulam jornalistas, queremos, além de oferecer informações precisas, passar a emoção que sentimos ao assistir um show, ao ler um livro ou escutar uma música.
No texto a seguir, não procure um texto sobre o novo disco da banda, o Write About Love, encare apenas o título desse post como uma coincidência, já que aqui escreverei sobre amor, pelo setlist, pelos horários exatos em que o show aconteceu, ou sobre quem errou e o que faltou. Você lerá aqui apenas um fragmento de uma fã que quase perdeu o ar de seus pulmões quando soube que a banda que por tanto esperava viria tocar na sua cidade:
A quantidade de dias num mês parecem ter se triplicado depois que o Belle and Sebastian confirmou sua vinda ao Brasil. Mas aquela quarta-feira chegou. Com uma cara triste para muitos, nublada e com ameaças de chuva o dia todo, mas para mim foi simplesmente o dia mais ensolarado do ano. Meu rosto estava radiante e todos me perguntavam o porquê de tanta felicidade.
Fiz o possível para sair mais cedo do trabalho e ir para casa me arrumar para o show e colocar uns discos na bolsa, caso conseguisse falar com a banda e pedir que os autografassem. Nunca se sabe.
A princípio não consegui me acomodar no melhor lugar. A banda subiu ao palco pontualmente. O primeiro que vi se aproximar foi Stuart e sua jaqueta vermelha. Mas o primeiro som que ouvi foi a voz doce de Sarah dizer: make me dance i want to surrender.
Queria me concentrar e fixar aquela cena para sempre na minha cabeça, ao mesmo tempo em que queria desprender meus pés do chão e voar ao som daquelas músicas que eu tanto esperei ouvir.
I’m a Cuckoo, Step Into My Office e Another Sunny Day deram sequencia àquele momento inicial, quando Stevie finalmente falou com seus fãs, os convidando a cantar junto com ele I’m Not Living in the Real World, música do novo disco da banda, Write About Love.
Em seguida, alguns sortudos que estavam distante do palco ganharam bolinhas de baseball autografadas por Stuart que cantava Piazza, New York Catcher.
Mas os momentos que me fizeram ficar no passado para sempre e derramar lágrimas de alegria, nostalgia e confusão foram quando ouvi Fox in the Snow e If You’re Feeling Sinister. Ainda me sinto lá. Vi como é bom envelhecer, como é bom ficar, sozinha, eu e a banda apenas, e esquecer todos os adolescentes que estavam do meu lado.
Sleep the Clock Around parecia ser o suposto final. Outro momento marcante do show. Outro momento pessoal. A primeira música que aprendi a tocar do Belle and Sebastian. Queria tê-la escutado por uma noite inteira.
Por cinco minutos ou menos a banda deixou o palco e, quando voltou, encerrou com Jonathan David, Get Me Away From Here, I’m Dying, Judy and the Dream of Horses, Me and the Major e me deixou com sede de mais.
Mais:


Algumas fotos do show no meu Flickr
Leia também a primeira matéria do cadela verde: Fazendo de 2010 1990