quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

os dez melhores discos de 2010



Listar é uma mania que tenho e, durante o ano inteiro penso nos discos que vão entrar para esse top 10 final. Esse ano foi um pouco diferente. Aqui no blog, postamos mais textos de shows que fomos e não tivemos tempo para os lançamentos de discos, então, o que resta é resumir um ano inteiro de muita música nessa lista. Aqui ela não se forma por ordem de preferência, apenas o primeiro lugar, que vai merecidamente para Joanna Newsom e o seu lindo terceiro disco Have One on Me. Vamos lá:


1. Joanna Newsom - Have One on Me
2. CocoRosie - Grey Oceans
3. Best Coast - Crazy for you
4. Blonde Redhead - Penny Sparkle
5. Beach House - Teen Dream
6. Arcade Fire - Suburbs
7. Four Tet -There is love in you
8. Belle and Sebastian - Write About Love
9. of Montreal - False Priest
10. Caribou - Swim

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

antes do sol se pôr,



se pôr dentro de mim e eu espero que não se ponha nunca. Faz quase um mês e eu ainda lembro perfeitamente. A tarde do dia 20 de novembro era de sol. Mas muito sol mesmo. Que isso fique bem claro...

O festival Planeta Terra tornou-se para mim e para alguns amigos um dos dias mais aguardados do ano. A volta do Pavement e seu primeiro show no Brasil!
Mas não é sobre eles esse texto. Eu estava muito ansiosa para assistir ao show do of Montreal, que, também faria uma apresentação inedita aqui. Mas como o Pavement também estaria, ficou em segundo, terceiro, quarto plano...quer dizer, não que eles fossem tocar no mesmo horário, mas a banda que ficou por mais tempo circulando dentro dos nossos ouvidos (ou dos meus ouvidos) foi o Pavement. Enfim.

Dez minutos antes do of Montreal subir ao palco eu estava desesperada, pois não conseguia me mover e sair daquela multidão de fãs (do Mika, mas que chegaram cedo demais) para comprar um copo d’água, estava morrendo de calor e quase deixando o mau humor tomar conta de mim.

Mas aí uma carpa gigante armada de duas metralhadoras subiu ao palco. E ela atirou e a bala foi direto na minha cabeça. A primeira bala da sequencia desse tiroteio foi Black Lion Massacre e eu me acalmei. Quer dizer. Eu saí do meio daquela multidão e fui para o palco. Pelo menos foi o que eu senti. Então Kevin Barnes apareceu e eu pulei o mais alto possível e ficamos cara a cara e cantamos Coquette Coquette e então ela passou a ter outro sentido.

Ainda nas alturas dancei com a banda toda ao som de Suffer for Fashion e tivemos uma festa particular ao som de The Party's Crashing Us. Nesse momento eu matei minha sede e nem sequer sentia o calor daquele asfalto em que meus pés estavam plantados antes do show. Eu estava bem longe.

A sequencia de tiros de endorfina ou do que quer se seja que aquelas balas de música possuem seguiram com Our Riotous Defects, Like a Tourist, Wraith Pinned to the Mist (and Other Games) e eu sinceramente não me lembro em que música isso aconteceu, mas pude compartilhar minha alegria com um dos dançarinos quadriculados, que pulou em minha direção e apertou muito forte a minha mão e esse momento durou quase uma eternidade e minha mão mudou de cor.

Como se não bastasse escutar Bunny Ain't No Kind of Rider durante aquele final de tarde, com direito a um notável por do sol com todos os tons imagináveis, admirado também por Kevin Barnes, cantei o hino Gronlandic Edit e esqueci para sempre toda a beleza desperdiçada.

Perto do fim She's a Rejector me trouxe memórias de anos atrás e, se eu não soubesse que o por do sol pintado por alguém exclusivamente para aquele show fosse durar para sempre, ficaria triste com a última bala daquela metralhadora sonora, A Sentence of Sorts in Kongsvinger deixou o palco pequeno com a presença de todos os integrantes do of Montreal e celebrou uma das despedidas mais felizes que eu já pude presenciar. ´


Algumas fotos do festival estão no meu flickr.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

um salvador de carne e osso


Vladimir Herzog, Carlos Mariguella  lutaram e caíram pela ditadura no Brasil. Mas como tudo que é organizado (para o bem ou para o mal) não foi só aqui que rolou luta armada contra a repressão e direito por liberdade de escolhas.

Salvador Puig Antich é um desses heróis que não podemos esquecer, pois nos deixa antenados e de olhos bem abertos para que saibamos qual lado escolher diante dessa desgraça, da qual jamais estaremos distantes, conhecendo bem o homem quando tomado pelo signo da ganância e do poder.

Este longa de 2006, que apesar de ter participado da seleção oficial Un Certain Regard em Cannes nem foi divulgado por aqui, talvez porque seja bom e não tenha "defeitos especiais". Narra a história real do militante, assaltante de bancos e anarquista Salvador Puig Antich (Daniel Brühl - Adeus Lênin, Bastardos Inglórios), integrante do grupo Movimiento Ibérico de Liberación, cuja execução em 1974, a última realizada na Espanha com o método do garrote, instalou uma polêmica que ajudou a decretar o fim da ditadura franquista e o retorno da democracia ao país.

Salvador conta com uma ambientação de primeira, trilha sonora das boas (Jethro Tull, Leonard Cohen...) e tensão marcante na parte final, de comer 11 unhas confesso. É importante também ressaltar a convivência entre Salvador e o guarda que o supervisiona na cadeia, que aos poucos vai se transformando de um profundo ódio cego e ignorante em lágrimas e respeito.

Porém este é daqueles filmes onde mais do que os méritos cinematográficos, valem pela relevância da mensagem que passam. Uma homenagem póstuma a pessoas que precisam permanecer vivas, por verem em tempos sombrios o cenário por completo, terem ido a luta mesmo quando seu "deus" prega a matança e desova da inocência e da justiça.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

sobre décadas e a velha mania de criar manias

Fale com alguém que não tenha vivido na época e goste de artes em geral. Não quero generalizar, apenas passar uma certa ideia da velha mídia de massa, sem querer bater numa velha tecla, mas é tecla forte caro leitor!

Vamos lá! Você não viveu na época; comprou revistas dessas "especiais" que adoram sintetizar 10 anos em 10 páginas, perguntou pro tio gente boa que estava em Marte mas de vez em quando ouvia umas notícias no radar das bocas e das janelas altas...

Daí você começa a pensar na história toda. Tudo bem, tem lá suas diferenças, mesmo porque é "cool" ser diferente e "cult" ser pseudo não é mesmo? Não se ofenda, eu sou apenas o cantor... Traçamos a linha do tempo, vamos por música pop, rock' n' roll! É muitas vezes bom, volta meia popular, e que bom quando não feito pra ser populista.

Um cara da uma rebolada ali, canta um negro acolá, o outro menino dos cabelos cacheados eleva a outro patamar, e os 4 meninos fantásticos viajam com graça, tem até um que mostra o lado selvagem da noite e outro que sangra em cacos e revolta. Depois a galera dá uma acelerada na coisa toda, enquanto outros tentam expandir a viagem....

Bandeiras se levantam, alfinetes são espetados e gritos são bradados. Entra em cena muita cor berrante de ou lado e um céu cinza acima de um tom P&B abaixo, lá em baixo... Novos astros sobem, outros caem, sempre. Uns aguentam a barra, outros não suportam o peso do espírito adolescente. Até as máquinas dialogam, de certa forma há muito tempo, e cada vez melhor no caso de alguns.

Fora tudo isso tem muita coisa, muitas drogas e sexo se preferir, de prache e pelo clichê, mesmo por que às vezes na fuga viramos um. Tem muita coisa e você sempre saca tudo, sem precisar nem mesmo dar nomes as bois. E o problema é exatamente esse. Mil nomes e mais os do porvir aos mesmos bois de sempre...

Agora eu caio aqui, em frente a esse computador, pensando que a década está acabando. E pensando que nem um idiota, quem são os bois da vez?..................... Aposto que no intervalo dessas reticências você pensou e se esforçou para buscar alguns nomes. E que armadilha em amigo, mas o que percebi e feliz por tal percepção, é que são muito mais nomes nessa década, a que descobri muita coisa, e tenho acompanhado de diversas formas o cenário quase que por completo. Não, eu não sou um sociólogo, não sou um grande mestre em história da música dos anos 2.000 mas claro, cresci e pertenço em carne e ossos, mais ossos que carne nos dias nessa época.

E então fico mais feliz ainda por notar que este veículo, vem buscando novas formas de diálogo, algo mais pessoal e diferente do que vemos por aí em geral. Palavras e nomes, olhares menos massificados, sem fechar as portas, sempre deixando brecha para a deliciosa relatividade que é sempre bem vinda.

Sim leitor, o cadela verde não quer salvar o mundo, apenas ser sincero. O cadela verde não quer o amanhã agora, apenas mais personalidade, para que os filhos das próximas décadas encontrem ainda mais pérolas do passado, mas que abrace seu presente com mais sabores e não envoltos num plástico, sem gosto verdadeiro, sem contato, sempre igual, sempre igual... Quando o preconceito é escrito pela ditadura branca de cada presente de grego e perdida é nossa individuação, individualização, individualiberdade.


*Obs: as 3 palavras finais do texto foram extraídas com muito carinho do poema introdutório de Marco Aurélio ao texto para teatro A Perseguição ou o longo caminho que vai de Zer a Ene, de Timochenko Webbi.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

não continua




Mais um conto meu adaptado por Amilcar Pinna

recortes surreais e subjetivos

Os Famosos e Os Duendes da Morte

Sinopse: Um garoto de 16 anos, fã de Bob Dylan, tem acesso ao restante do mundo apenas por meio da internet, enquanto vê os dias passarem em uma pequena cidade rural de colonização alemã, no sul do Brasil. Até que uma figura misteriosa o faz mergulhar em lembranças e num mundo além da realidade...

"Hey! Senhor Tocador de Tamborim,
toque uma canção para mim,
Não estou dormindo, e não há lugar onde eu possa ir.
Hey! Senhor Tocador de Tamborim,
toque uma canção para mim,
Na aguda manhã desafinada eu o seguirei."                
                           Bob Dylan - "Mr. Tambourine Man"


Os Famosos e os Duendes da Morte é um filme que dialoga com a sensibilidade da geração que se liga nas redes sociais imperativas e grandes rainhas do tempo nesse século 21. Esmir Filho (diretor do sucesso da Internet Tapa na Pantera), dá vazão, e com muita sensibilidade ao universo por qual todos nós passamos em momentos de nossa vida, no qual o vazio existencial e a agonia por uma liberdade à qual nem sabemos nomear, ilumina uma viagem melancólica e fria, que pode ser lida de tantas formas que acabamos por nos perder de nós mesmos em busca de um novo despertar.

Esmir se utiliza da mistura do granulado do vídeo online com o real para passar um conflito silencioso e de forma sensorial baseado na obra Música para Quando as Luzes se Apagam, do também ator do longa Ismael Caneppele.

Na fuga do tempo, o duende da morte caminha numa ponte surreal, no vento de vidas que se cruzam e sentimentos que se partem, mas que para aprender a se partirem, é preciso não restar cacos pelo caminho. A viagem dura o tempo de um pensamento, uma ideia que não se encerra, mutante e distante, apenas em mil recortes; de uma fotografia, um vídeo, um abraço, um trago. Na palavra infinita, tão sureal como o próprio sentimento que nem pode ser escrita, apenas uma ideia primitiva, que sempre existiu.