sexta-feira, 12 de agosto de 2011

melancholia



O fim pode ser lindo.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

ouvidos aquecidos

Vou falar aqui de três discos lançados nesses últimos dois meses que valem a pena escutar nesse inverno. O primeiro foi uma boa surpresa, o novo do Death Cab for Cutie, Codes and Keys. Eles lançaram o novo trabalho em maio, mas eu decidi escutá-lo somente na semana passada. A resistência para escutar o disco de uma banda que há anos eu admiro teve um motivo, o single Meet me on The Equinox, lançado em 2009, que fez parte da trilha sonora do filme Lua Nova. Vi um DCFC diferente do que eu conhecia e me decepcionei: o som e a proposta que eles aceitaram não tinham muito a ver com a banda. Mas felizmente eu pude "perdoar" a banda que presenteou os fãs com Codes and Keys. Um disco que agrada tanto os fãs mais novos quanto os mais antigos, creio eu. A primeira faixa Home Is a fire me fez lembrar do projeto de Ben Gibbard, o Postal Service, pela linha "reta" da batida que segue a música até o fim, despertando já minha atenção para escutar o que vinha a seguir. Já Codes and Keys chega com um piano minimalista e já remete o trabalho anterior da banda, Narrow Stairs (2008), com essa e com as músicas seguintes concluí que o novo álbum soa como uma continuação do que eles fizeram em 2008 - porém melhorada. A banda se encontra mais disposta e o resultado disso é um disco inspirador para se escutar do começo ao fim. Aqui você assiste ao vídeo oficial de uma das músicas mais bonitas de Codes and Keys, You Are a Tourist:



Já o outro disco que recomendo aqui é um trabalho de superação, pois ele é o trabalho sucessor de um dos melhores discos da década passada, o indescritível For Emma, Forever Ago (2007) é. Bon Iver é o segundo álbum do projeto homônimo do norte-americano Justin Vernon. Digo trabalho de superação não apenas porque ele quebra o clichê da "maldição do segundo disco". Ele é um trabalho, arrisco, da mesma qualidade que o anterior, porém possui vida própria. O folk de base simples acompanhado pequenos arranjos, com trompete, por exemplo, agora ganha também doses maiores de guitarra e até mesmo teclados. Perth e Towers são faixas de destaque. Emocionantes. Já Calgary mostra a despreocupação da banda em não soar como For Emma, quem dá o tom no primeiro minuto de música é um teclado com sustain e a voz de Justin. Um dos melhores discos do ano até agora. Pra escutar sem medo.


A outra novidade é o décimo disco do Herman Dune, Strange Moosic. Depois de três excelentes trabalhos, Not on Top (2005), Giant (2006) e Next Year in Zion (2008), ficou difícil do álbum lançado em maio superar todas as expectivas. Ao mesmo tempo em que percebe-se melhor qualidade na produção do disco, lançado pela Fortuna POP!, Strange Moosic está mais simples, mais direto que os outros trabalhos, não há uma música que tenha algum arranjo fofo como nos outros trabalhos que nos dá vontade de sair assobiando. O clima de improviso ficou de lado e com isso um pouco daquele ar inocente se foi. Mas a doçura de David e de sua amada Mayon Hanania, continuam, felizmente, a base para compor suas músicas.




terça-feira, 28 de junho de 2011

scenes from the suburbs

A edição de luxo do último disco do Arcade Fire, The Suburbs (2010) foi lançada hoje. A nova versão do álbum conta com uma versão estendida de Wasted Hours e duas faixas ineditas: Speaking in Tongues, com direito a David Byrne nos vocais e Culture War, além do curta-metragem mais aguardado pelos fãs, o Scenes from the Suburbs, dirigido por Spike Jonze. O roteiro do filme de 28 minutos foi feito também por dois músicos da banda: Win e Will Butler.


Pra comemorar, o MUBI disponibilizou - somente até amanhã, o filme na íntegra, já com legendas em português.

Aqui você também confere minha lista dos melhores discos do ano passado, com direito a The Suburbs, e a resenha de outro filme de Spike Jonze, Onde vivem os monstros, lançado também em 2010.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

música que ecoa


Pode ser apenas um pensamento inocente, mas eu gosto de ver bandas com discografias de peso lançarem EP's simplesmente porque esse formato logo me remete a uma ideia de despretensão comercial.

No caso do of Montreal eu não acredito que é necessário um EP para se provar isso, mas é seu novo trabalho, o thecontrollersphere, que cito aqui como exemplo disso. O conjunto de cinco faixas pode ser encarado como uma continuidade de False Priest (2010), pois se trata de músicas que a banda produziu na época do último disco, porém, as faixas lançadas no EP não se preocupam de forma alguma em soar pop como em False Priest. Batidas repetidas e um Kevin Barnes a fim de exorcisar demônios são algumas das características desse EP que mostra o cuidado que a banda tem em não descartar suas criações.


Leia aqui a cobertura do show do of Montreal durante o festival Planeta Terra em 2010.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

don't worry about us, joey



Foi na cozinha. Tinha um rádio lá. 89, a rádio que ainda era rock. Joey Ramone foi embora. Don’t worry about me, dizia a música, mas era difícil não estar nem aí com aquele cara que, junto com seus companheiros de banda compôs a trilha sonora de minha adolescência inteira. E mais, se não fosse por ele, mais guitarra, baixo e bateria, mais três acordes eu não teria uma banda de garagem, as Naked Pigs. Mas ele pedia pra gente não ligar...

A gente seguiu e já faz dez anos. Não consigo acreditar. Estou ficando velha, como meus amigos, como qualquer um, mas preservo a energia e a esquisitice que é ser adolescente e não estar nem aí pro mundo.
Foi tudo por amor, Joey, a primeira música que fiz com a minha primeira banda. Todo mundo tirava sarro dos cartazes que a gente colava no mural da escola “banda inspirada nos Ramones precisa disso ou daquilo” e a gente não ligava e continua não ligando porque se não for pela simplicidade não vale a pena viver.

E você não perdeu nada, Joey, o mundo te perdeu e ainda sente por isso e sentirá cada dia mais.

But,

Don't worry about us.

quinta-feira, 31 de março de 2011

fiery furnaces

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quinta-feira, 24 de março de 2011

ser eterno não quer dizer continuar vivo.

Se alguém me disser que não escutava Strokes no começo dos anos 2000 está mentindo. Arrisco a dizer que estaria mentindo também se dissesse que não gostou do seu primeiro disco Is This It (2001). Assumo aqui que concordei e acho que em parte ainda concordo com o que foi dito na época, como aquelas frases exageradas mais necessárias sobre a salvação do rock, todos pareciam apostar suas cartas finais àquele quinteto nova-iorquino com instrumentos vintage na mão e cabelos ensebados. E se entregar a aquilo não foi difícil. Grande parte da minha pré e adolescência foi regada com músicas de rádio, como a Kiss Fm, A 89, a Brasil 2000. Era um período de formação; mas desde aquela época já era fácil se chatear com o conteúdo repetitivo dessas emissoras. No mais comprava-se CDs, na Galeria do Rock a maioria das vezes. Lá era um lugar onde se encontrava material de algumas bandas fora do mainstream que entediava facilmente. Aí surgiu o meio termo, algo que aparentemente agradava os dois lados. Lembro de resenhas que comparavam a voz (mecânica mas legal) e o estilo de Julian Casablancas com o de Lou Reed. Absurdo. Mas aquilo me fez feliz por um bom tempo.

Tempo suficiente para conhecer o White Stripes, que lançou seu primeiro disco (homônimo) em 1997, mas só foi chegar aos meus ouvidos no começo do século. Me apaixonei. Ao mesmo tempo que via uma proposta estética diferente, ouvia um rock cru mas singular. Em 2003, com o lançamento do quarto disco da dupla, o Elephant, a 89 (extinta Rádio Rock) lançou uma promoção intitulada Vermelho e Branco. Era um quizz. Uma pergunta por dia durante uma semana, se não me falha a memória. Se você acertasse todas, ganhava os quatro discos da dupla. Eu fui a vencedora. O que foi muito legal, pois os dois primeiros trabalhos de Jack e Meg White, o The White Stripes e o De Stijl (2000) eram difíceis de encontrar.

Já em 2006 os Strokes lançaram seu terceiro disco, o First Impressions of Earth, que, na minha opinião, foi sua queda. Um disco frio, sem músicas pra se lembrar no futuro. A partir daí começaram as carreiras solos, Moretti com o Little Joy, Fraiture e Casablancas em carreira solo etc.

E o White Stripes lançaram seus últimos dois discos, o Get Behind Me Satan, em 2005; que não foi um disco ruim, mas que eu escutei tão pouco; sabe aquele disco com gosto de fim? Mas isso se concretizou, em termos de gravações de estúdio em 2007 com o Icky Thump, que eu nem fiz “avaliações”, tive medo de escutá-lo inteiro; ao mesmo tempo que Jack White lança o Racounters e faz inúmeros projetos e parcerias.

Bom, com toda essa ladainha quero chegar a questão principal: 2011. Strokes, depois de muito mimimi lança Angles, que mais parece ser a sucessão da carreira solo bizarra do Casablancas; aquela coisa que beira ao trash com essa vontade (?) dele de se parecer com um ídolo 80’s. Não vejo motivo aparente pra trazer aquela atmosfera do disco solo do Julian, o Phrazes for the Young (2009) pro novo disco dos Strokes. Posso estar soando conservadora demais, mas a gente percebe quando tem algo errado num disco. Inovar é bom, mas aqui inovar não é a palavra adequada. Perdeu-se a autonomia.

Depois de tantos anos eu não precisava me preocupar com isso. Eles fizeram a parte deles há dez anos. Mas por que continuar? Ninguém ali parece estar participando daquilo porque está passando fome.

E aqui eis um exemplo a ser seguido: o fim do White Stripes, declarado pela banda também nesse ano. O motivo? Preservar a memória.

Moral da história? Não se existe um limite quando o assunto é dinheiro (entre outros interesses). Mas, sim, felizmente há exceções.

Ser eterno não quer dizer continuar vivo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

herói trancado no amor caído

Com letras bem humoradas e indefiníveis enquanto canção (Jovem Guarda, pop, rock, ciranda com a criançada), o ex Querosene Jacaré, Ortinho insere uns metais aqui, mais um pianinho acolá em algumas passagens, e convida músicos classe A - veja Jorge Du Peixe, Edgard Escandurra, Dengue, dentre outros para realizar este excelente Herói Trancado.

Sem medo de ser feliz, o cara se abre, se expõe  das entranhas do amor calado e desfila um banquete de músicas do sentimento mais famoso e desejado do mundo.


O "heroi trancado" está condenado a vida sem você pelo resto da minha vida; não exita em confessar o cinza que deixou pela garota para revelar o colorido em seu coração. Um poeta do mundo do alto de seu aprisionamento metafórico, envolto por sentimentos estranhos, na passagem, pronto para serem vividos? intactos, convertidos numa estranha saudade do mundo entre o desejo de experimentar, não! ainda entre sucatas, ferrugens mal cuidadas.

Dentre os "outros" citados no primeiro parágrafo, quanto aos convidados temos um sempre potencializador Arnaldo Antunes: mais peso ao pesadelo real de um dia tomado por memórias e a incapacidade de alcançar qualquer coisa sem a referência do lado agora frio da cama.

E por fim crianças entoam uma ciranda simples como tudo na vida, para encerrar um álbum de rock direto, das antigas e sem pretenções, por estar maduro em seu estado, natural. Com redundância, Herói Trancado é heróico, de carne e ossos, sujeito a apodrecer, ser quebrado e silenciado.

terça-feira, 1 de março de 2011

a nudez do homem por antonio carlos viana

-Que haja vida! Grita a voz do cotidiano por estas paragens, no mês do Caranaval e do segundo nascimento, pra roda girar, e engrenar...

E a cadela já começa pedindo a benção ao gênio Tom e a eterea Elis, se banhando nas "águas de março", e pulsando, e escancarando palavras do mundo, prontas para pegar no ar... olhando pela janelinha dos olhos, e assistindo a vida simples, complexa, paradoxal, normalmente estranha, esquisita no canto da memória de criança, ao tomar a narrativa da avó louca, do trator que chega para demolir o barraco; e tudo cai e apenas o pirão é salvo, ao avistar do outro lado a irmã, segurando as alças do pirão, que é motivo de festa frente às agruras da miséria.

Em certo momento a garota lembra com dor do sorriso, hoje esbanjado às custas de um tempo de ferida ainda aberta, um buraco, ao contrário do cariado, que não pode ser fechado, aberto pelo dentista de fundo de quintal através de abusos sexuais.

Em Cine Privê, livro lançado pela Compahia da Letras em 2009, Antonio Carlos Viana abre a janela indiscreta de gente que perdeu o amor muitas vezes por si próprio, abandonado à esmo, caminhando pelas ruas cinzentas em busca de um motivo, uma sensação, algo...

O senhor rejeitado pela mulher limpa as "porcarias" dos outros, como o mesmo chama, após as sessões de streaptease, nas cabines imundas, por onde á certa altura revela, já passaram até Os dez mandamentos, quando ainda era um cinema de verdade; no conto que batiza o livro.

Cine Privê é um livro de leitura fácil e certeira, já que Viana não dá rodeios e vai direto ao ponto com talento, seja pela lembrança de criança ou pelo narrador que entrega um futuro estilhaçado ou encerra o conto com uma palavra qualquer, comum, direto na cabeça do dia a dia, que mascarado numa bela dançarina circence, oculta uma mulher da vida, cheia de marcas, a cada hora novamente atingida.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

dublê mike contra as garotas selvagens


Tarantino com certeza se saiu melhor que Rodrigues em sua parte de Grindhouse. Na sua homenagem aos filmes de carros antigos, o diretor que já fez simplesmente "Cães de Aluguel", Pulp Fiction" e "Jackie Brown", para citar alguns, pinçou uma trilha sonora de arrebentar! - com direito a Juicebox - e chamou belas garotas, carros clássicos com motor tinindo e uma figuraça: Dublê Mike ( Kurt Russel impecável, num topete rock a Billy). Imagine todo mundo chapando, embalando os diálogos já famosos no roteiro de Tarantino, cheios de referência da cultura pop, entre uma caçada e outra do Dublê Mike com seu carro À Prova de Morte.

Uma dança erótica da infame Butterfly (Vanessa Ferlito) ao som de "Down in Mexico" do Coasters ali, uma perna voando aqui, garotas botando o terror com um bastão acolá; prepare-se para os novos filhotes do "barman" Tarantino. À Prova de Morte é divertido, sexy, e sim, muito trash!
Obs: Tente contar quantos socos Dublê Mike leva sem cair na cena final.




Leia também: Ode à uma geração bastarda, resenha do filme Bastardos Inglórios, também do Tarantino

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

se você enxerga cores e luzes é o seu cérebro pedindo pra você SE MOVER

Jornalismo e superficialidade hoje se relacionam de forma escandalosa. Estou generalizando? Sim. Há exceções. Mas temo um dia ler a primeira frase desse texto e pensar que escrevi um fato óbvio.

Infelizmente os melhores achados estão no passado. Mas eles nos dão certa esperança de que é possível se fazer uma grande obra e salvar o jornalismo do abismo em que se encontra.
Esse último achado foi O teste do ácido do refresco elétrico (The Eletric Kool-Aid Test), de Tom Wolfe. Há um bom tempo procurava por esse livro, encontrei-o em setembro passado num sebo da Rua Augusta em que passei despretensiosamente antes de encontrar uma amiga num café.

Você que está começando a ler esse texto e já leu algum outro post do cadela, sabe que escrevemos sobre temas variados, porém sempre atuais. Essa parece ser uma exceção, mas talvez, quando terminá-lo de ler, poderá entender o porquê desse post sobre um livro de 1968.
Aprendemos desde criança a encarar o jornalismo como algo que aborda apenas o factual. E isso em parte é verdade, mas ele é mais do que isso. O factual pode transcender.

O que hoje é apenas um diário pode ser tornar um livro de história e mais, uma obra literária, como provou Tom Wolfe nessa obra que, a princípio pensava em escrever apenas uma matéria sobre o romancista Ken Kesey, autor do livro Um estranho no ninho (One Flew Over The Cuckoo's Nest, 1962), que no momento se encontrava numa prisão. Wolfe tinha apenas dez minutos para conversar com Kesey sobre o que ainda era tema de sua matéria: Jovem romancista foge durante oito meses pelo México.

Aqueles dez minutos duraram um pouco mais e o autor mergulhou de cabeça na cena hippie e vanguardista da Califórnia, traduzindo em palavras todo movimento da contracultura, tendo como personagem principal, o mais que romancista, o sociopata, o semideus Ken Kesey, construindo uma obra que é referência tanto no jornalismo, quanto na literatura, se é que se pode limitar O teste do ácido do refresco elétrico à apenas essas categorias. É uma obra singular, que corre sozinha pela história.

Tom Wolfe, jornalista norte-americano que, ao lado de nomes como Norman Mailer e Gay Talese, ajudou a sustentar as bases do New Journalism, movimento que, simplificando, uniu o jornalismo às estruturas da literatura, nos faz viajar num ônibus escolar modelo 1939, que comprou por $1.500 dólares em nome de Viagens Intrépidas, Associados, o dinheiro proveniente desse fundo que Kesey compartilhava com seus Festivos (nome do grupo de número oscilante que o acompanhava) vinha do lucro de seus livros publicados.

Nessa viagem sem volta pela década de 1960 conhecemos o Estados Unidos da contracultura, esbarramos com alguns Beats, como Neal Cassady e Kerouac, ao som de Grateful Dead, Beatles, Jefferson Airplane...parecia até que os beats haviam feito seu trabalho de maneira certa. O mundo certamente seria um lugar melhor se.

E as páginas escritas em caixa alta seguidas de todos aqueles pontos de exclamação?! Meus ouvidos chegaram a doer!

E meus olhos até ardiam ao ler sobre todas aquelas cores das tintas, das roupas, do cérebro. E o mundo parecia muito mais colorido que esse cinza.

E ninguém parecia ter dinheiro ou se importar com ele.

E todo mundo parecia ter algo a dizer.

Queria ter ficado por lá, sendo guiada pelo fantástico motorista Neal Cassady que abastecia sua mente com LSD e dirigia melhor do que ninguém, até o paraíso.

Mas eu virei a última página e ela tinha um ponto final.


MOVA-SE
MOVA-SE
MOVA-SE
MOVA-SE
MOVA-SE
MOVA-SE
MOVA-SE
MOVA-SE
MOVA-SE
MOVA-SE
MOVA-SE
SEU CÉREBRO NÃO É UMA MASSA CINZA. ELE É COLORIDO E ESTÁ GRITANDO!

mais uma bela fuga com antony and the johnsons


Para os desavisados, a música do Antony and The Johnsons pode soar muito dramática, exagerada. Mas para quem está afim de se aventurar em seu universo, ou acompanha a total entrega, instrumentação de primeira linha, com belos arranjos, que Antony Hegarty interpreta de forma bela e singular num canto soturno desde o intenso e inesquecível álbum homônimo de 1998, verá uma arte sublime neste Swanlights, 4º álbum de estúdio, que incrementa com novas e misteriosas paisagens a massa de seu consistente legado .

A primeira faixa, "Everything is New", vai crescendo até agarrar o ouvinte, e daí em diante é cada vez mais para o fundo, no piano que te chama e te carrega em "Ghost"; na hipnótica "Swanlights", com canto e intrumentação que remete a um sonho dentro de um sonho, num dia de neblina e chuvisco.

"The Spirit Was Gone" é uma música tocante, que dialoga com momentos do 1º álbum. "Thank You For Your Love" tem clima leve, uma saudação de agradecimento após a tormenta, com ótimos metais do meio em diante, para dançar e cantar junto.

Antony convida a também excêntrica e sempre ótima Björk para contribuir com sua voz em "Flétta", o que é, aliás, uma retribuição pela contribuição de Athony nas faixas " The Dull Flame of Desire" e "My Juvenille" em seu álbum Volta.

Na última canção da obra, "Christina’s Farm", Hegarty com seu piano se encarrega de fazer o que faz como poucos, emocionar e deixar a certeza de que só uma pedra é capaz de passar ileso por sua música.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

"feito pra acabar" e tocar de novo!


A primeira vez em que passou por meus olhos o nome de Marcelo Jeneci, foi em uma CULT especial, e junto ao seu nome outros apareciam como Tulipa Ruiz e Karina Buhr, representando uma nova geração de músicos e intérpretes talentosos. Ao assistir uns vídeos do músico na net fiquei meio boquiaberto  e dei um jeito de conseguir a bolachinha que acabara de sair.

Não tardou e Jeneci apareceu em meio a outros talentos num comercial de TV, e bombou nas listas de 2010 de para melhores canções, álbum e revelação.

Não por menos, "Feito pra Acabar" é uma caixa preciosa com canções pop açúcaradas, daquelas que, aceite ou não, contam como fábula aos ouvidos palavras que vão direto para a memória de um momento em sua vida, ou no agora, subjetivamente, descascando uma ferida, apalpando uma sensação. A música de Jeneci é elaborada e lapidada para passar mensagens verdadeiras, sem pieguice; e na medida emocional certa, seja na leveza de um dia com sombra e água de coco  em "Jardim do Éden", interpretada por Laura Lavieri, sua parceira musical desde 2007. Ou com o peso de "Quarto de Dormir", som de cortar o coração e deixar uma saliva angustiada presa na garganta.

Além de Lavieri, que contribui com sua doce voz no disco, o músico contou com uma galera peso-pesado na assinatura do álbum. A primeira pérola; "Felicidade", é parceria com Chico César, com quem Jeneci começou sua carreira em 2000, tocando piano e sanfona. Os arranjos ficaram por conta de Arthur Verocai, e a banda conta com Régis Damasceno no baixo, Curumim na bateria, e Edgard Escandurra na guitarra, dentre outros. E por fim, Kassin assina a produção, empacotando com delicadeza as diversas terras visitadas pelo músico.

"Pra Sonhar", "Dar-Te-Ei, "Por Que Nós?", "Pense Duas Vezes... É sempre o amor, o amor que todos já sentiram e, ou sentirão, cantado com verdade, sem caminhos fáceis e "inocentes". Um presente que termina com a faixa que batiza o álbum, deixando o coração já órfão num gostinho de quero mais, por tão bela despedida já na apresentação.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

conversa com cavernistas (l)

Visão Mutilada ou A Busca

Em um sonho, Renée não reconheceu as coisas cotidianas que o cercavam. Talvez numa tentativa inconsciente e desesperadora de fugir da realidade que vivia. Ou será que essa tal realidade seria simplesmente um jogo de interesses maiores? Uma contradição real; "O senso comum mas não o senso de todos".

Renée é o jovem se preparando para o que chamam em algum lugar de O despertar da vida. E mais! Talvez seja eu, você..
Vestiu a pele do nome Filósofo e conseguiu, ou ao menos tentou se livrar dos grilhões e sair da caverna.

A Caverna. O Big Brother de Platão nos vigiando, censurando e controlando. Invadindo a mente, a alma. A alma remanescente que talvez já nem mereça tal nome. O resto de entre o sexo dos pais e a primeira palmada na bunda.

Você se solta, sai a vê além. A natureza! A natureza selvagem! A vida em seu estado puro, sem deturpações e medições do homem em seu pessoal que, por mera ambição, tenta estabelecer o um ao coletivo. Não há soma, e sim multiplicação em série.

Você retorna afim de salvar seus semelhantes, e risos e canivetes chovem em sua cabeça e lhe sangram até a morte dos sonhos. Será que os homens realmente não acreditam? Será que a risada não foi apenas um disfarce, tal qual uma armadura, para esconder o medo? O medo do desconhecido, da quebra de sua não cria, da tão difícil aceitação. Enfim, de sua própria luz.

E sem preparação não há aceitação para aquele que foi condicionado e teve seus sentimentos e cérebro massacrados pelo senso comum. O que resta é uma espécie de máquina, que se agarrou na única chance, esperança ou qualquer outro nome que se queira dar a isso. Eu diria esmola, a deficiência monocular de perspectivas.
O homem então vive na caverna, de olhos fechados, vendo o que todos vêem há muito tempo com os olhos de Leviatã.

O homem não morre. Sai rastejando e ferido. Não resiste ao sonho que se sonha só. Mas sua última visão foi de olhos abertos.

Adeus Renée, adeus eu, você em algum lugar no tempo. Em algum ponto de nossas pobres vidas, talvez o último agraciado com um pouco de orgulho.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

lutas reais


Com a proximidade do Oscar, na opinião de quem vos escreve, um dos prêmios mais medíocres da indústria cinematográfica, é hora de falar das estrelas que podem brilhar este ano. Mas vamos falar por merecimento, e não só por milhões de libras investidas e tecnologia que encobre do espectador o distanciamento do cinema - arte.

Para começar vamos falar de "O Vencedor" (The Fighter), daqueles diretos e sem rodeios desnecessários. Baseado em uma história real, o longa conta a derrocada de uma jovem promessa no esporte, Dicky Eklund, cujo maior feito na carreira aconteceu em 1978, ao "derrubar" Sugar Ray Leonard, em uma luta que acabou perdendo. Mas que vê sua vida visitar o fundo do poço ao se viciar em crack. Agora é seu irmão, Mick Ward, treinado por Eckund, quem carregará o sonho do boxe junto ao fardo de toda uma família cheia de amor vampiresco.

É exatamente essa a vantagem do longa; a falta de grandes pretenções. O filme tem pinta de produção para TV, mas se destaca pelas atuações do trio de ferro Mark Wahlberg, Melissa Leo e Christian Bale. E palmas para Bale, que arrebenta na pele de Dicky Eklund. Aliás, pele, trejeitos, voz e tudo mais. O ator realmente incorpora como pouco já se viu no cinema, dando fôlego ao filme em seus momentos medianos.

Wahlberg funciona muito bem dando espaço e funcionando como âncora para Bale, que com certeza arrecadará, e com todo merecimento, muitas estatuetas este ano. De resto não há muito o que falar do longa, que não será uma das grandes surpresas de sua vida, mas o fará dar boas risadas nas absurdas brigas de famíla e saltos pela janela de Ecklund, tentando fugir da mesma, já aluciado. Enfim, um bom filme que vende o que é, e por isso não decepciona.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

a árvore, a lágrima e a ideia de adeus

Final de uma manhã de uma sexta-feira de janeiro ainda ensolarada. Encontro meu amigo no centro da cidade e damos um passeio. Sé, Anhangabaú. Rua Sete de Abril. Compro um rolo de filme para minha câmera e subimos a Consolação e, depois de almoçarmos fomos assistir àquela que parecia ser nossa última sessão no cine Belas Artes – que agora finaliza suas atividades dia 28 de fevereiro. Sendo assim, essa crônica não diz respeito ao último filme que assisti, mas da sensação de último, de despedida, de adeus.

Assistimos A árvore, dirigido por Julie Bertuccelli. Bela fotografia de Nigel Bluck, bela Charlotte Gainsbourg. Mas o que prevaleceu em meus pensamentos foi aquela ideia de final. Fotografei alguns ambientes do cinema de rua que está há 68 anos compartilhando com seus frequentadores incríveis histórias e emoções, provocando lágrimas e sorrisos das mais variadas cores e sabores.

Minha tristeza (e com certeza a de muitos ali) se tornou visível no final do filme. Créditos na tela. Luzes já acesas. Escuto o som de alguém chorando. Uma garota de vinte e poucos anos ou um pouco mais que isso, derramava as lágrimas de todos ali. Soluçava. Sem fazer questão nenhuma de esconder sua dor.

O filme não foi triste. Quer dizer. Não seria triste se não fosse o último. Aquela garota que jamais vou me esquecer chorou a dor da perda. Ela foi a última a sair da sala, esperou cair no chão a última lágrima.

A chuva também caía lá fora. A garota tirou o guarda-chuva de sua bolsa e foi embora. Embora para nunca mais.

Eu sei. É um drama.

Mas não é um filme.

A gente queria que fosse. Mas.

E o que resta são as histórias guardadas na memória de cada um.

É um cinema de rua a menos. Conto nos dedos os que ainda sobraram.

Também posso contar nos dedos os dias que faltam para o Belas Artes fechar as suas portas.

O que não conseguiria fazer se fosse tentar contar o número de Cinemarks espalhados pelos shoppings da cidade...

Sabe aquele filme que você torce para nunca acabar?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

a trilha sonora de janeiro


2011 começou muito bem musicalmente. A trilha sonora do verão começou com a espetacular White Noise, primeira faixa do novo disco dos escoceses do Mogwai, Hardcore will never die, but you will e seguiu numa viagem perfeita até a última melodia. Melhor disco do mês.

A outra novidade foi o lançamento do tão aguardado segundo disco do coletivo nova iorquino Hercules and Love Affair, o Blue Songs. Na hora de escutá-lo, deixe de lado as expectativas cultivadas desde 2008. Painted Eyes, faixa que dá ínicio ao novo trabalho, engana. O ritmo e a melodia é daquele Hercules de 2008. Mas, apesar de ainda manter aquela receita de disco, house das antigas, toda aquela atmosfera que nos remete à cena old school do hip hop do Brooklin de forma refinada e singular, os ingredientes parecem ter sido racionados, como a belissíma voz de Antony Hegarty e toda a sensualidade de Nomi Ruiz.

Kiss Each Other Clean, do estaduniense Iron and Wine chega otimista mas sem grandes faixas a se destacar, pelo menos foi a impressão que tive ao escutá-lo por uma série de vezes. O disco é bastante equilibrado e o melhor é que todas as faixas são interessantes. É um álbum para se escutar do começo ao fim.

E que venha mais música!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

o primeiro latido do ano: cadela verde apresenta alina orlova



Na última semana de 2010 conheci uma cantora lituana que me chamou a atenção e, por isso será minha primeira indicação do que ouvir em 2011: Alina Orlova - lituana de apenas 22 anos que, além de ter uma voz singular - soprana e ao mesmo tempo forte, bastante intensa e muitas vezes beirando ao lírico, compõe suas próprias letrar e também é pianista.

Alina canta em três idiomas, lituano, russo e inglês. Assisti alguns vídeos da garota e encontrei até uma versão de Perfect Day, do Lou Reed. Mas não se prenda por isso, vale a pena escutar as músicas próprias da cantora, cantadas em seu próprio idioma, como Lijo, Ramuna, entre outras, afinal, a linguagem da música é universal.
Na ativa desde 2007, Alina possue dois discos, o Laukinis Šuo Dingo, de 2008 e Mutabor, de 2010.
Vale alertar que Alina não é nenhuma Regina Spektor. Acredito mesmo que ela tenha uma veia bastante pop, mas sem abandonar a cultura lituana.

Visite o MySpace de Alina Orlova.