quinta-feira, 24 de março de 2011

ser eterno não quer dizer continuar vivo.

Se alguém me disser que não escutava Strokes no começo dos anos 2000 está mentindo. Arrisco a dizer que estaria mentindo também se dissesse que não gostou do seu primeiro disco Is This It (2001). Assumo aqui que concordei e acho que em parte ainda concordo com o que foi dito na época, como aquelas frases exageradas mais necessárias sobre a salvação do rock, todos pareciam apostar suas cartas finais àquele quinteto nova-iorquino com instrumentos vintage na mão e cabelos ensebados. E se entregar a aquilo não foi difícil. Grande parte da minha pré e adolescência foi regada com músicas de rádio, como a Kiss Fm, A 89, a Brasil 2000. Era um período de formação; mas desde aquela época já era fácil se chatear com o conteúdo repetitivo dessas emissoras. No mais comprava-se CDs, na Galeria do Rock a maioria das vezes. Lá era um lugar onde se encontrava material de algumas bandas fora do mainstream que entediava facilmente. Aí surgiu o meio termo, algo que aparentemente agradava os dois lados. Lembro de resenhas que comparavam a voz (mecânica mas legal) e o estilo de Julian Casablancas com o de Lou Reed. Absurdo. Mas aquilo me fez feliz por um bom tempo.

Tempo suficiente para conhecer o White Stripes, que lançou seu primeiro disco (homônimo) em 1997, mas só foi chegar aos meus ouvidos no começo do século. Me apaixonei. Ao mesmo tempo que via uma proposta estética diferente, ouvia um rock cru mas singular. Em 2003, com o lançamento do quarto disco da dupla, o Elephant, a 89 (extinta Rádio Rock) lançou uma promoção intitulada Vermelho e Branco. Era um quizz. Uma pergunta por dia durante uma semana, se não me falha a memória. Se você acertasse todas, ganhava os quatro discos da dupla. Eu fui a vencedora. O que foi muito legal, pois os dois primeiros trabalhos de Jack e Meg White, o The White Stripes e o De Stijl (2000) eram difíceis de encontrar.

Já em 2006 os Strokes lançaram seu terceiro disco, o First Impressions of Earth, que, na minha opinião, foi sua queda. Um disco frio, sem músicas pra se lembrar no futuro. A partir daí começaram as carreiras solos, Moretti com o Little Joy, Fraiture e Casablancas em carreira solo etc.

E o White Stripes lançaram seus últimos dois discos, o Get Behind Me Satan, em 2005; que não foi um disco ruim, mas que eu escutei tão pouco; sabe aquele disco com gosto de fim? Mas isso se concretizou, em termos de gravações de estúdio em 2007 com o Icky Thump, que eu nem fiz “avaliações”, tive medo de escutá-lo inteiro; ao mesmo tempo que Jack White lança o Racounters e faz inúmeros projetos e parcerias.

Bom, com toda essa ladainha quero chegar a questão principal: 2011. Strokes, depois de muito mimimi lança Angles, que mais parece ser a sucessão da carreira solo bizarra do Casablancas; aquela coisa que beira ao trash com essa vontade (?) dele de se parecer com um ídolo 80’s. Não vejo motivo aparente pra trazer aquela atmosfera do disco solo do Julian, o Phrazes for the Young (2009) pro novo disco dos Strokes. Posso estar soando conservadora demais, mas a gente percebe quando tem algo errado num disco. Inovar é bom, mas aqui inovar não é a palavra adequada. Perdeu-se a autonomia.

Depois de tantos anos eu não precisava me preocupar com isso. Eles fizeram a parte deles há dez anos. Mas por que continuar? Ninguém ali parece estar participando daquilo porque está passando fome.

E aqui eis um exemplo a ser seguido: o fim do White Stripes, declarado pela banda também nesse ano. O motivo? Preservar a memória.

Moral da história? Não se existe um limite quando o assunto é dinheiro (entre outros interesses). Mas, sim, felizmente há exceções.

Ser eterno não quer dizer continuar vivo.

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