quinta-feira, 31 de março de 2011

fiery furnaces

contratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontravcontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempoCONTRA O TEMPOcontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontracontratempocontratempocontrAtempocontratempoCONTRATEMPOcontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempocontratempo

quinta-feira, 24 de março de 2011

ser eterno não quer dizer continuar vivo.

Se alguém me disser que não escutava Strokes no começo dos anos 2000 está mentindo. Arrisco a dizer que estaria mentindo também se dissesse que não gostou do seu primeiro disco Is This It (2001). Assumo aqui que concordei e acho que em parte ainda concordo com o que foi dito na época, como aquelas frases exageradas mais necessárias sobre a salvação do rock, todos pareciam apostar suas cartas finais àquele quinteto nova-iorquino com instrumentos vintage na mão e cabelos ensebados. E se entregar a aquilo não foi difícil. Grande parte da minha pré e adolescência foi regada com músicas de rádio, como a Kiss Fm, A 89, a Brasil 2000. Era um período de formação; mas desde aquela época já era fácil se chatear com o conteúdo repetitivo dessas emissoras. No mais comprava-se CDs, na Galeria do Rock a maioria das vezes. Lá era um lugar onde se encontrava material de algumas bandas fora do mainstream que entediava facilmente. Aí surgiu o meio termo, algo que aparentemente agradava os dois lados. Lembro de resenhas que comparavam a voz (mecânica mas legal) e o estilo de Julian Casablancas com o de Lou Reed. Absurdo. Mas aquilo me fez feliz por um bom tempo.

Tempo suficiente para conhecer o White Stripes, que lançou seu primeiro disco (homônimo) em 1997, mas só foi chegar aos meus ouvidos no começo do século. Me apaixonei. Ao mesmo tempo que via uma proposta estética diferente, ouvia um rock cru mas singular. Em 2003, com o lançamento do quarto disco da dupla, o Elephant, a 89 (extinta Rádio Rock) lançou uma promoção intitulada Vermelho e Branco. Era um quizz. Uma pergunta por dia durante uma semana, se não me falha a memória. Se você acertasse todas, ganhava os quatro discos da dupla. Eu fui a vencedora. O que foi muito legal, pois os dois primeiros trabalhos de Jack e Meg White, o The White Stripes e o De Stijl (2000) eram difíceis de encontrar.

Já em 2006 os Strokes lançaram seu terceiro disco, o First Impressions of Earth, que, na minha opinião, foi sua queda. Um disco frio, sem músicas pra se lembrar no futuro. A partir daí começaram as carreiras solos, Moretti com o Little Joy, Fraiture e Casablancas em carreira solo etc.

E o White Stripes lançaram seus últimos dois discos, o Get Behind Me Satan, em 2005; que não foi um disco ruim, mas que eu escutei tão pouco; sabe aquele disco com gosto de fim? Mas isso se concretizou, em termos de gravações de estúdio em 2007 com o Icky Thump, que eu nem fiz “avaliações”, tive medo de escutá-lo inteiro; ao mesmo tempo que Jack White lança o Racounters e faz inúmeros projetos e parcerias.

Bom, com toda essa ladainha quero chegar a questão principal: 2011. Strokes, depois de muito mimimi lança Angles, que mais parece ser a sucessão da carreira solo bizarra do Casablancas; aquela coisa que beira ao trash com essa vontade (?) dele de se parecer com um ídolo 80’s. Não vejo motivo aparente pra trazer aquela atmosfera do disco solo do Julian, o Phrazes for the Young (2009) pro novo disco dos Strokes. Posso estar soando conservadora demais, mas a gente percebe quando tem algo errado num disco. Inovar é bom, mas aqui inovar não é a palavra adequada. Perdeu-se a autonomia.

Depois de tantos anos eu não precisava me preocupar com isso. Eles fizeram a parte deles há dez anos. Mas por que continuar? Ninguém ali parece estar participando daquilo porque está passando fome.

E aqui eis um exemplo a ser seguido: o fim do White Stripes, declarado pela banda também nesse ano. O motivo? Preservar a memória.

Moral da história? Não se existe um limite quando o assunto é dinheiro (entre outros interesses). Mas, sim, felizmente há exceções.

Ser eterno não quer dizer continuar vivo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

herói trancado no amor caído

Com letras bem humoradas e indefiníveis enquanto canção (Jovem Guarda, pop, rock, ciranda com a criançada), o ex Querosene Jacaré, Ortinho insere uns metais aqui, mais um pianinho acolá em algumas passagens, e convida músicos classe A - veja Jorge Du Peixe, Edgard Escandurra, Dengue, dentre outros para realizar este excelente Herói Trancado.

Sem medo de ser feliz, o cara se abre, se expõe  das entranhas do amor calado e desfila um banquete de músicas do sentimento mais famoso e desejado do mundo.


O "heroi trancado" está condenado a vida sem você pelo resto da minha vida; não exita em confessar o cinza que deixou pela garota para revelar o colorido em seu coração. Um poeta do mundo do alto de seu aprisionamento metafórico, envolto por sentimentos estranhos, na passagem, pronto para serem vividos? intactos, convertidos numa estranha saudade do mundo entre o desejo de experimentar, não! ainda entre sucatas, ferrugens mal cuidadas.

Dentre os "outros" citados no primeiro parágrafo, quanto aos convidados temos um sempre potencializador Arnaldo Antunes: mais peso ao pesadelo real de um dia tomado por memórias e a incapacidade de alcançar qualquer coisa sem a referência do lado agora frio da cama.

E por fim crianças entoam uma ciranda simples como tudo na vida, para encerrar um álbum de rock direto, das antigas e sem pretenções, por estar maduro em seu estado, natural. Com redundância, Herói Trancado é heróico, de carne e ossos, sujeito a apodrecer, ser quebrado e silenciado.

terça-feira, 1 de março de 2011

a nudez do homem por antonio carlos viana

-Que haja vida! Grita a voz do cotidiano por estas paragens, no mês do Caranaval e do segundo nascimento, pra roda girar, e engrenar...

E a cadela já começa pedindo a benção ao gênio Tom e a eterea Elis, se banhando nas "águas de março", e pulsando, e escancarando palavras do mundo, prontas para pegar no ar... olhando pela janelinha dos olhos, e assistindo a vida simples, complexa, paradoxal, normalmente estranha, esquisita no canto da memória de criança, ao tomar a narrativa da avó louca, do trator que chega para demolir o barraco; e tudo cai e apenas o pirão é salvo, ao avistar do outro lado a irmã, segurando as alças do pirão, que é motivo de festa frente às agruras da miséria.

Em certo momento a garota lembra com dor do sorriso, hoje esbanjado às custas de um tempo de ferida ainda aberta, um buraco, ao contrário do cariado, que não pode ser fechado, aberto pelo dentista de fundo de quintal através de abusos sexuais.

Em Cine Privê, livro lançado pela Compahia da Letras em 2009, Antonio Carlos Viana abre a janela indiscreta de gente que perdeu o amor muitas vezes por si próprio, abandonado à esmo, caminhando pelas ruas cinzentas em busca de um motivo, uma sensação, algo...

O senhor rejeitado pela mulher limpa as "porcarias" dos outros, como o mesmo chama, após as sessões de streaptease, nas cabines imundas, por onde á certa altura revela, já passaram até Os dez mandamentos, quando ainda era um cinema de verdade; no conto que batiza o livro.

Cine Privê é um livro de leitura fácil e certeira, já que Viana não dá rodeios e vai direto ao ponto com talento, seja pela lembrança de criança ou pelo narrador que entrega um futuro estilhaçado ou encerra o conto com uma palavra qualquer, comum, direto na cabeça do dia a dia, que mascarado numa bela dançarina circence, oculta uma mulher da vida, cheia de marcas, a cada hora novamente atingida.