segunda-feira, 4 de julho de 2011

ouvidos aquecidos

Vou falar aqui de três discos lançados nesses últimos dois meses que valem a pena escutar nesse inverno. O primeiro foi uma boa surpresa, o novo do Death Cab for Cutie, Codes and Keys. Eles lançaram o novo trabalho em maio, mas eu decidi escutá-lo somente na semana passada. A resistência para escutar o disco de uma banda que há anos eu admiro teve um motivo, o single Meet me on The Equinox, lançado em 2009, que fez parte da trilha sonora do filme Lua Nova. Vi um DCFC diferente do que eu conhecia e me decepcionei: o som e a proposta que eles aceitaram não tinham muito a ver com a banda. Mas felizmente eu pude "perdoar" a banda que presenteou os fãs com Codes and Keys. Um disco que agrada tanto os fãs mais novos quanto os mais antigos, creio eu. A primeira faixa Home Is a fire me fez lembrar do projeto de Ben Gibbard, o Postal Service, pela linha "reta" da batida que segue a música até o fim, despertando já minha atenção para escutar o que vinha a seguir. Já Codes and Keys chega com um piano minimalista e já remete o trabalho anterior da banda, Narrow Stairs (2008), com essa e com as músicas seguintes concluí que o novo álbum soa como uma continuação do que eles fizeram em 2008 - porém melhorada. A banda se encontra mais disposta e o resultado disso é um disco inspirador para se escutar do começo ao fim. Aqui você assiste ao vídeo oficial de uma das músicas mais bonitas de Codes and Keys, You Are a Tourist:



Já o outro disco que recomendo aqui é um trabalho de superação, pois ele é o trabalho sucessor de um dos melhores discos da década passada, o indescritível For Emma, Forever Ago (2007) é. Bon Iver é o segundo álbum do projeto homônimo do norte-americano Justin Vernon. Digo trabalho de superação não apenas porque ele quebra o clichê da "maldição do segundo disco". Ele é um trabalho, arrisco, da mesma qualidade que o anterior, porém possui vida própria. O folk de base simples acompanhado pequenos arranjos, com trompete, por exemplo, agora ganha também doses maiores de guitarra e até mesmo teclados. Perth e Towers são faixas de destaque. Emocionantes. Já Calgary mostra a despreocupação da banda em não soar como For Emma, quem dá o tom no primeiro minuto de música é um teclado com sustain e a voz de Justin. Um dos melhores discos do ano até agora. Pra escutar sem medo.


A outra novidade é o décimo disco do Herman Dune, Strange Moosic. Depois de três excelentes trabalhos, Not on Top (2005), Giant (2006) e Next Year in Zion (2008), ficou difícil do álbum lançado em maio superar todas as expectivas. Ao mesmo tempo em que percebe-se melhor qualidade na produção do disco, lançado pela Fortuna POP!, Strange Moosic está mais simples, mais direto que os outros trabalhos, não há uma música que tenha algum arranjo fofo como nos outros trabalhos que nos dá vontade de sair assobiando. O clima de improviso ficou de lado e com isso um pouco daquele ar inocente se foi. Mas a doçura de David e de sua amada Mayon Hanania, continuam, felizmente, a base para compor suas músicas.