segunda-feira, 30 de julho de 2012

domingo sem sol


 Frame de Sans Solei (1983)

Esse é mais um texto sobre a morte (que aconteceu ontem, 29 de julho, dia de seu aniversário) de Chris Marker (1921-21012) que não irá acrescentar muita coisa na sua vida.

Mas seus filmes – os pouquíssimos que vi, de uma carreira de mais de 50 (tão híbridos, porém tão únicos), acrescentaram muito para minha formação. Descobri Marker há pouco tempo, em 2009, durante meus estudos sobre o cinema documental na universidade e, consequentemente fora dela. Assim como muitos entre os que conhecem sua obra, os primeiros filmes que assisti foram Sans Soleil (1983) e La Jetée (1962). Fiquei espantada com sua genialidade. Aquelas imagens... a forma como elas eram inseridas... editadas... pensadas. A narração... reticências pois não chego a conclusão. E é isso que me impressiona, não conseguir compará-lo a ninguém, a nenhuma outra linguagem. E é tão bom descobrir um novo sabor.

Por sorte, naquele mesmo ano, aconteceu uma mostra com os filmes de Marker no CCBB e pude assistir a outros filmes como Chats Perchés (2004) e uma homenagem que o artista fez a Andrei Tarkovsky.

Pela falta de tempo e acessibilidade dos filmes disponíveis no Brasil, acabei deixando um pouco de lado esse meu interesse. Recentemente quis retomar minha pesquisa sobre Marker e solicitei (com êxito) um excelente catálogo digitalizado da mostra que citei acima. Espero retomar minha maratona de filmes. Mas a gente espera fazer tanta coisa. E são poucos que realmente fazem. Menos ainda os que criam.

Marker nunca precisou se expor para marcar. Como é sabido de todos, raras são as fotos do artista. Rara são as informações irrelevantes sobre sua vida. Marker tornou-se sua obra e vice-versa. E ainda bem que existe uma caixinha em meu cérebro dedicada a apenas suas memórias. Suas imagens eternas.

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