terça-feira, 11 de setembro de 2012

renoir pintou minhas tias


No dia cinco de setembro visitei o Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB) para ver as obras da exposição Impressionismo: Paris e a Modernidade – Obras-Primas do Museu d’Orsay. Um dos quadros que mais me deixou ansiosa para ver era Jeunes filles au piano (1892) do Renoir. Quando o encontrei, fiquei à sua frente por um bom tempo e me perdi em memórias. Na verdade, minha ansiedade para chegar até ali não é por achar que ele é a obra de arte mais incrível já produzida. Mas ele me fez viajar no tempo e recuperar boas lembranças, como de fato eu esperava.

Durante a minha infância, quando eu tinha uns cinco anos, minhas tias Claudia e Marta eram solteiras e moravam na casa dos meus avós. Elas dividiam um quarto. Lembro-me bem que cada cama ficava encostada em paredes distintas. Mas as roupas de cama eram iguais: colchas cor de rosa de coraçõezinhos brancos. Entre as camas ficavam os criados-mudo, brancos, assim como o restante dos móveis. Em cima, abajures que proporcionavam a luz mais confortável do mundo. E na parede da cama que ficava do lado direito estava pregada uma réplica dessa obra do Renoir. Eu passava um tempão observando aquelas duas garotas (aliás, eu adorava passar o tempo observando os quadros que havia naquela casa, como o retrato gigante de meu bisavô Wladimir, que depois de tanto encará-lo passei a ter medo dele [retrato]).

E de alguma maneira aquelas garotas eram minhas tias.

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