quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

seis filmes que assisti no cinema em 2013 e gostei


O SOM AO REDOR, Kleber Mendonça Filho
FRANCES HA, Noah Baumbach
AZUL É A COR MAIS QUENTE, Abdellatif Kechiche
GERONTOPHILIA, Bruce LaBruce
BLUE JASMINE, Woody Allen
JOVEM E BELA, François Ozon

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

dez discos que ouvi e gostei em 2013


Tales of a GrassWidow - CocoRosie
Mala - Devendra Banhart
Dream River - Bill Callahan
 Reflektor - Arcade Fire 
Ghost on Ghost - Iron and Wine
Slow Summits - The Pastels
Random Access Memories - Daft Punk
I’m a Dreamer - Josephine Foster
Cavalo - Rodrigo Amarante 
Shaking the Habitual - The Knife

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

cocorosie foi um sonho



Só penso em como foi
Só penso que poderia estar acontecendo até agora
Mas todos os sonhos acabam sem um final coerente
Todos os sonhos são interrompidos com um choque brutal de realidade

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

camera obscura esqueceu você


Camera Obscura é uma banda fiel a ela mesma que não se importa em apagar as músicas dos discos anteriores e escrever as novas sobre as mesmas linhas do mesmo caderno. Ficam borrões que nenhuma borracha é capaz de apagar. Desire Lines é um disco para você dar o play de olhos fechados sem medo de ouvir algo novo. Camera Obscura é zona de conforto, muito conforto. É aquele amor que você deixou pra trás, mas que pode metralhar seu coração a qualquer momento. Mas você nem sente mais. A voz de Tracyanne Campbell mata mas não dói. E não pense que você esqueceu Camera Obscura. Camera Obscura esqueceu você.

Mais Camera Obscura:

Whisky e corações partidos 

Mais bandas dos anos 1990:

Yellow hair, you are a funny bear

Música que ecoa

The Pastels: "Check my heart"

Dinossauros, amplificadores e muita distorção

Write About Love: Belle and Sebastian em São Paulo

Fazendo de 2010 1990

Antes do sol se pôr

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

sábado, 22 de junho de 2013

nunca aprendi a pousar!








Exposição individual do artista chinês Cai Guo-Quiang, no CCBB São Paulo.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

yellow hair, you are a funny bear


Quando escutei "Ruin", a primeira faixa de divulgação do disco mais recente da Cat Power, Sun, gostei; e concordei com os comentários de que a música lembrava o estilo do disco You Are Free. Mas a faixa (do disco todo) que mais me instigou foi "Cherokee", lançada na sequência com um clipe tão lindo quanto a música – e dirigido pela cantora. Nela eu pude ver Charlyn Marshall emotiva, instável, "loira", representando ela mesma e tudo o que ela estava vivendo. Ouvi a música milhões de vezes. Depois ouvi o disco inteiro. E, é só minha opinião, mas achei engraçado vê-la com aquele olhar lacrimejante tendo de sustentar um disco de letras positivas. Fiquei com “Cherokee”.

Recentemente ela apresentou uma música nova, posterior ao disco, “Bully”. Só piano e voz. Só piano e uma voz que não consegue – e tomara que não consiga jamais – domar seus sentimentos. E é tão bonito ouvir essa instabilidade, essa rouquidão do corpo que não controla a voz. Cat Power machuca e você não consegue controlar o efeito de sua voz sobre o corpo.

E eu queria ouvir, ver de perto essa mulher violenta. Queria um arranhão. Cada show é uma experiência completamente diferente; ela reconstrói seus discos no palco e transcende sua própria música. E mais: ela pode te mandar beijos e flores como pode simplesmente não dizer nada para agradar o seu ego. E eu queria vê-la, como quem passa na casa de um amigo “só para ver como ele está”. Quase que não consegui. Os ingressos esgotaram e ontem, no dia do show, comprei o ingresso de uma estranha, lá na porta do Cine Joia, minutos antes do show.

Enquanto eu não arranjava a entrada, fiquei na fila com as pessoas que iriam assistir ao show. Me senti parte. Falei sem parar com desconhecidos sobre como eu queria estar ali e rabisquei braços alheios. Me comportando como uma criança que vai ao show da Xuxa, escrevi de canetinha “marry me to the sky” (trecho de “Cherokee”), no meu próprio braço. E em meio a esses momentos irracionais meu ingresso chegou a tempo.

O show começou com pouco mais de uma hora de atraso. Charlyn entrou mancando, tossindo, com um cigarro pendurado na boca e uma xícara de chá em suas mãos. Calada enquanto sua banda tocava “Sea of Love”. Com incensos acesos no palco ela cantou uma versão melancólica, arrastada de “The Greatest”. “Cherokee” deu início às outras músicas novas que ela cantou, ora olhando para baixo, limpando a garganta, olhando com preocupação para um relógio de pulso invisível, ora autografando capas de discos. Quase não sorriu e eu chorei junto, quando ela tirou sua jaqueta de couro preta e colocou uma jaqueta jeans e pendurou uma cruz no pescoço e cantou uma versão exorcizante de “Angelitos Negros”. Fazendo de sua dor, sua performance, ela cantou "Metal Heart" da maneira mais intensa que já ouvi, sem medo de machucar, e me despedaçou com “Bully”. Ela jogou flores, jogou garrafas de água, deu autógrafos aos montes, mas nenhum sorriso falso. Agradeceu séria, a plateia, se debruçou no palco e eu pensei que não iria conseguir ser erguer do chão. CHARLYN MARSHALL, VOCÊ É UM ANIMAL SELVAGEM.

MAIS CAT POWER:

I fucking love you, Charlyn Marshall!

Cat Power @Via Funchal

Red Apples

Fotos

segunda-feira, 8 de abril de 2013

the pastels: "check my heart"

Depois de consideráveis anos sem gravar um disco de estúdio, os pioneiríssimos do indie pop escocês The Pastels estão de volta. Eles lançam em maio o disco Slow Summits (sucessor de Illumination, 1997) pela Domino. Hoje eles soltaram o single integrante a esse novo trabalho "Check My Heart", que para a alegria dos fãs, continua com um pé nos anos 90:

quinta-feira, 14 de março de 2013

sobre o fim e sobre tudo o que é belo, cocorosie vem para anunciar


Ouvir Tales of a Grass Widow (2013) é uma experiência inesquecível. Um disco para ouvir enquanto ouve, e só. De braços abertos e olhos fechados.

A influência da música indiana, a junção do hip hop, da harpa, da voz inconfundível de Antony Hegarty, desperta o ouvido do nosso coração entediado pela música atual.

Quando eu assisti a uma apresentação das irmãs Casady pelo Aufnahmezustand há pouco tempo, e vi a quantidade de músicos das mais diferentes vertentes trabalhando com elas, fiquei ansiosa para ouvir o que estava a caminho: uma música quase que espiritual.

É gratificante acompanhar essa soma de elementos, que aumenta a cada disco: do freak folk, dos instrumentos de brinquedo, do beat box, das flautas e da percussão. CocoRosie não é daqui.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

ao caminhar entrevi lampejos de beleza: o cinema de jonas mekas

Jonas Mekas_Screen test, Andy Warhol - Malanga/Warhol
Eu não vejo poesia apenas nas composições de versos e estrofes. Aliás, dessa poesia pouco sei falar. Nos últimos anos a poesia que mais tem me chamado a atenção está dentro do cinema. O Cinema Verité, o Cinema Direto, o cinema de improviso, o cinema sem pretensão comercial.

Durante o mês de fevereiro desse ano, o CCBB SP e Cinusp apresentam os filmes do lituano radicado nos Estados Unidos Jonas Mekas (consulte a programação aqui e aqui).

Pull My Daisy
Na primeira semana da mostra, intitulada com o nome do cineasta, assisti a Pull My Daisy (1959), dirigido por Robert Frank e Alfred Leslie. O filme, que leva o nome de um famoso poema de Allen Ginsberg, faz parte do “Essential Cinema”, coletivo formado por Jonas Mekas, James Broughton, Ken Kelman, Peter Kubelka e P. Adams Sitney. Segundo o folder da mostra, esses artistas tinham com esses filmes (ao todo foram 330 títulos) a pretensão de “definir a arte do cinema”, ao reunir os principais “monumentos do cinema como arte”. Pull My Daisy retrata o cotidiano de alguns membros da dita Geração Beat, como Jack Kerouac, que roteirizou e narrou o vídeo, e o próprio Allen Ginsberg.

Na semana seguinte assisti a um filme que faz parte de uma compilação alguns rolos (o cineasta filma desde 1949 com uma Bolex 16mm) que Mekas gravou no período de 1970 a 1999, chamado Ao Caminhar Entrevi Lampejos de Beleza. Seria indiferente citar o tempo da projeção caso ela não durasse cinco horas (!!!). Vou transcrever abaixo uma citação do Mekas sobre esse filme:

“Meus diários em filme de 1970 a 1999. O filme cobre meu casamento, o nascimento dos meus filhos. Nós os vemos crescer. Imagens da vida cotidiana, fragmentos de felicidade e de beleza. A passagem das estações em Nova York, a vida em casa, a natureza. Nada de extraordinário, nada de especial, coisas que todos nós vivemos ao longo de nossas vidas. Esse filme é também meu poema dedicado a Nova York, seus verões, seus invernos, suas ruas, seus parques.”

Ao Caminhar Entrevi Lampejos de Beleza
Não são todos os fragmentos de filme que contém som direto, o autor, em 1999, quando resolve fazer essa compilação, acaba narrando o filme e colando trilha sonora. Ele conta que sua ideia inicial era de organizar os filmes em ordem cronológica, mas ele acabou editando de maneira aleatória, a medida que ele encontrava os rolos. Ele repete infinitas vezes “Esse é um filme em que nada acontece”, ou ironiza com a frase “Esse é um filme político”, a medida que a tela se preenche com lembranças particulares da vida do cineasta; o nascimento de seus filhos, o aniversário de Dizzy Gillespie, inúmeros pique niques no Central Park, gatos preguiçosos iluminados pela luz do sol, Andy Warhol, seu camarada.

Não só a temática dos diários de Mekas possuem uma atmosfera poética, mas sua opção pela película (16mm) e a forma como ele os edita, resultando numa estética muito pessoal. Ao Caminhar Entrevi Lampejos de Beleza é um filme, como o autor diz, sobre nada, apenas pessoas sorrindo, que nunca brigaram, que se amam. Como gostaríamos de editar nossas vidas. É um filme sobre nada e sobre a vida.

Numa outra sessão assisti Lost Lost Lost, o material que compõe esse longa são seis filmes que Jonas Mekas gravou no período de 1949-63/1976. Abaixo transcrevo um comentário do autor sobre o filme:

"O período que descrevo nesses seis rolos de filme foi um período de desesperança, de tentativas de me enraizar nesta terra nova, de criar novas memórias. Nesses seis dolorosos rolos, tentei descrever os sentimentos de um exilado, meus sentimentos durante aqueles anos. (...). O sexto rolo é uma transição, ele mostra quando começamos a relaxar, quando comecei a encontrar momentos de felicidade.”

O autor em Lost Lost Lost

No filme, Mekas narra como conseguiu comprar sua Bolex e gravar seus diários e de todos aqueles lituanos exilados nos Estados Unidos. Ele conta de maneira melancólica (e tão bonita) sobre seu sentimento de estar ali, sem saber por onde começar sua nova vida. Ele grava os encontros de lazer dos lituanos, das festas, dos casamentos, dos banhos de sol, uma noite de Natal solitária, dos quaisquer empregos que aceitavam para sobreviver ali, naquela terra estranha. E Mekas faz poesia com tudo, faz haicais compostos de imagens e de palavras, narrando o processo de adaptação, dos novos amigos, do seu encontro com o cinema.

 *Essas são apenas minhas impressões sobre alguns dos filmes de Jonas Mekas que assisti, sem consulta a materiais secundários. Para ver a programação da mostra acesse os links que eu citei acima. Apresentando três canhotos de ingressos você ganha um catálogo da mostra.

Vinheta da mostra do Jonas Mekas:



Mais cinema de memória:

Péter Forgács: Um Colecionador De Memórias

Outras mostras de cinema:

Encontros com Woody Allen parte 1, parte 2 e parte final 

Despedidas de cinema:

Domingo sem sol

A árvore, a lágrima e a ideia de adeus

Outros filmes:

Um gosto doce da época em não precisávamos ser meninos ou meninas

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

o som ao redor

CINCO ESTRELAS